no n�mero 04 da NASDAQ
VERONICA
- N�o entendo; a sua hist�ria acabou?
- Hoje est� um dia quente.
- Mas ningu�m casou na hist�ria!
- Sabe, eu nunca quis me casar.
- Como ningu�m casou no fim da hist�ria, ela n�o terminou.
- Acho a castidade uma virtude, contanto que ela n�o seja praticada.
- Mas � claro que ela poderia ter acabado se algu�m tivesse morrido.
- A eternidade tamb�m � uma virtude se n�o for praticada.
- Uma hist�ria acaba ou com um casamento ou com morte. Se os dois ocorrem, nem o leitor pode continuar.
- Com um infarto fulminante, o final ficaria abrupto. Com uma doen�a degenerativa, longo... Mas n�o: o melhor � escrever abruptamente uma prolongada agonia e muito lentamente um fim s�bito. Provaria que vida e escrita s�o opostas.
- Uma hist�ria em que algu�m se casasse com um morto acabaria com todas as hist�rias.
- Mas morte e escrita s�o opostas?
- Por isso n�o entendo. A hist�ria n�o terminou.
- Quer casar comigo?
- Eu n�o gosto de sopa.
- Tamb�m n�o. Quer casar comigo?
- Acho que n�o. O dia est� muito quente.
- � mesmo.
E ent�o o matou.
- P�dua Fernandes.
***
DECAPTA��ES
V
"L�utile revenu du rasoir.""
Beaumarchais
Ant�nio, mestre peruqueiro,
pegou sua companheira
em amorosa baralha
com um terceiro.
E a cabe�a �he talha
com a navalha,
gritando: - Traidora! Libertina!
E pensando: - barata e bela,
tenho assim uma cabe�a-modelo
para p�r na vitrina.
- Pere Quart, tradu��o de Ronald Polito
***
NASDAQ, al�m de ser a sigla para sistema eletr�nico de cota��o da associa��o nacional de intermedi�rios de valores, era (ou ainda �?) uma revista, em xerox, editada por eduardo sterzi e tarso de melo, entre 2003 e 2004. n�o sei se � isso mesmo, mas parece que tinha alguma rela��o com a publica��o da revista cacto.
algu�m a� poderia me dizer se a cacto ainda existe?
agradecida.

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