30.12.05

...evid�ncias...
� claro que penso em voc� e escrevo seu nome em um caderno velho e usado - cheirando a p� e solu�ando manchas -, hora com letras firmes que ferem o papel, sangrando tinta do outro lado da p�gina onde se encontra uma conta de multiplica��o, hora com letras t�o leves que a tinta mal escapa da caneta e os contornos das letras exigem da imagina��o um exerc�cio de caligrafia. � claro que escuto seu cheiro de maresia penetrandomeusouvidosroucos e vejo nas nuvens centenas de ondas ganhando forma e tamanho, como se fossem derrubar o sol, inundar Saturno, criar lagoas nas crateras da lua, expulsar os p�ssaros para o ch�o e trazer sem asas os peixes para o c�u, mas as ondas crescem assustadoras para depois desmancharem-se calmas em alguma praia da Bahia. � claro que engulo ignorante e primata o seu tempero musculoso e flagro minha boca salivando cachoeiras ao mastigar um peda�o generoso de panturrilha mal passada, acompanhada de seios sem gorduras, a l�ngua organizando o tr�fego e o resto do corpo avan�ando o sinal. � claro que leio suas met�foras sortidas e catalogo todas elas com a precis�o bagun�ada dos bibliotec�rios em estantes e instantes guardadas na lembran�a, para depois consult�-las e us�-las nas situa��es de grande utilidade, como informar a crian�as onde comprar vaga-lumes com pilhas novas ou escrever nos postes mensagens que olhos perdidos acabam esbarrando: os apaixonados criam estrelas na palma da m�o caso sintam fome durante o dia. � claro que compreendo seus sil�ncios e por isso afino meus olhos. � claro que contabilizo seus sorrisos e me contor�o em tenta��es para jog�-los, um por um, sobre equa��es que respondem a qualquer d�vida, ang�stia ou mist�rio da humanidade, seja a cor dos olhos de Deus ou o gosto do beijo de Cle�patra, por�m, a �nica vez que usei seus sorrisos foi para saber se girass�is entristecem quando chega a noite e a equa��o resultou, exata, que eles dormem para sonhar com o sol. - � do alisson, amigo querido e sumido. li e fiquei besta, sorrindo e suspirando.