30.11.05
EM MARTE APARECE A TUA CABE�A -
Em marte aparece a tua cabe�a -
eu queria dizer. No lugar onde
desapareceu a janela,
a cabe�a de vaca de fogo, aparece
a cabe�a. Onde era a cortina fria,
de p�ssaro escutando.
Em marte, como a roupa bate o vento,
e na terra as ferraduras batem
no meu cabelo.
Como o fogo dentro da pedra turquesa,
em marte aparece a tua
cabe�a de vaca. Por detr�s da fria cortina -
eu queria dizer.
Agora sei que devo saber, s�.
As letras da chuva louca nas costas -
escrevendo, escrevendo.
S�, eu sei a dormir. Com um ramo
de peixes e um violino
no meio dos ll, dos mm, dos ii
da chuva.
Com meu ramo de violinos, s� eu
no meio da chuva. Agora
sei que devo escrever os meus peixes.
Para ti, a tua cabe�a
aparece na janela de marte em fogo.
O fogo que anda em ti que andas como uma
pedra turquesa,
ao lado da fria cortina. Olhando, escutando
como um p�ssaro, onde chove.
Como s� agora sei com as letras.
A chuva abre-te, o dia bate, a roupa
trope�a com as ferraduras
no meu cabelo. E s� agora fazes
teu gesto com chuva, no meio das letras.
Abre-te, oh abre-te. Na cortina,
agora, a tua cabe�a ao lado dos peixes -
escutando, escrevendo,
como s� agora sei: o meu ramo
de violinos
Escuta: um copo, a catedral, o livro,
o candeeiro.
Eu agora sei escrevendo ao lado o fogo
da cabe�a. Escuta: descasco
ma��s, como ma��s, as ma��s
aparecem na sua cor no meio - e juntam-se
entre si, e v�o sonhar. Escuta:
chovendo, escutando, escrevendo.
A roupa bate no vento.
Escuta como s� agora bate a cor
nas ma��s. A tua cabe�a, a cortina fria.
Dou-te as letras dos peixes, escutando -
s� agora, s� agora.
Escutando em ti, abrindo
com a tua chave todas as tuas ma��s
na sua cor. S� agora
escrevendo eu sei.
- Herberto Helder, o Rei, A M�quina L�rica.
29.11.05
FIQUE QUIETO!
A �nica coisa a ser feita, agora,
agora que as ondas da nossa destrui��o come�arem a bater em n�s,
� nos conter.
Ficarmos quietos, e deixar que nossos destro�os avancem,
deixar tudo ir, enquanto as ondas nos esmagam,
mesmo assim ficarmos quietos, e segurar
a min�scula semente de algo que nenhuma onda pode carregar,
nem mesmo a mais maci�a onda do destino.
Entre todos os esmagados fragmentos de mim mesmo
ficar quieto, e esperar.
Pois a palavra � Ressurrei��o.
E mesmo o mar dos mares ter� de devolver seus mortos.
- D.H. Lawrence, trad. M�rio Alves Coutinho. Tudo que vive � sagrado.
28.11.05
Caros amigos e familiares,
� com alegria e satisfa��o que agradecemos os alvissareiros votos e congratula��es, recebidos em fun��o da feliz natividade. Avisamos que os g�meos s�o dois mi�dos sacudidos, saud�veis, espertos, e bem gordinhos. Calmos, n�o reclamam de nada; e como n�o poderia deixar de ser, mamam o dia todo. E, a quem quiser conhec�-los, Otto e Ana avisam que estar�o recebendo visitas, das 12 �s 18 horas, na maternidade, onde permanecem ao lado da m�e. Presentes, cart�es e telegramas dever�o ser enviados � nossa resid�ncia. Exultantes, agradecemos.
Ren�, Otto, Ana, e mam�e.
(Daniel e Let�cia tamb�m)
- vi da janela do dot�
OI�
Repito o que
recita o vento:
que as coisas v�m
a seu tempo,
que elas sabem
qual tempo � o delas,
que esse tempo nunca � o dos viventes, mas
que, assim sendo,
for�a � render-se
� for�a delas
movendo-se, folha
ao vento, rasgac�us,
deusa ciosa das coisas
que lhe ofertem
e de cada corpo quando
dance na festa
em seu nome ao vento.
vejo-a: resplendente
aqui, j� repontando
ali - epa, Oi�-�!
- Ricardo Aleixo, Esses Poetas
...............
h� muito tempo recebi esse poema, que devia significar algo no cart�o em que estava escrito, mas s� fui compreender tempos depois.
na primeira vez em que conversei com o ricardo aleixo contei pra ele a hist�ria do poema e do cart�o. provavelmente ele n�o se lembra, mas foi o primeiro poema dele de que tive not�cia.
mas este post n�o � sobre o cart�o ou ricardo aleixo.
ali�s, � sobre o que mesmo?
voltei a aprender com oi�. embora s� sabendo uma parte do porqu�
lhes damos as boas-vindas!
nasceram ana & oto, os gatos palindr�micos, filhos de l�ri e papito.
que bunitinhos os meus gatinhos!...
26.11.05
e eis que sibila ressurge - e com um space... ghost?
NOSSO AMOR
Se falei de voc�
S� falei por falar
(n�o tinha mais de quem falar)
S� sonhei com voc�
Pois n�o pude evitar
(temos que sonhar)
Se fiquei com voc�
S� fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)
Se aceitei seu amor
Aceitei sem pensar
(n�o sei recusar)
Se ainda estou com voc�
Inda estou por estar
Nosso amor afinal
N�o tem nada de especial
N�o � paix�o n�o � fatal
N�o � assim essencial
Nem � s� sentimento
Circunstancial
N�o � tanta coisa
Mas � t�o legal!
Infeliz de quem vem
At� aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)
E me v� com voc�
Vendo o tempo passar
(� s� o que ver�)
Sem saber se esse amor
Inda vai decolar
(se cola pode decolar)
Eu por mim tudo bem
Deixo assim como est�
Nosso amor se tornou
Uma hist�ria singular
� s� calor e se calar
� s� compor sem cantar
Nosso amor se espregui�a
S� quer vadiar
Vai passando os dias
Sem se entediar
Uma das d�vidas t�picas
Que ficam no ar:
Como que um amor
Que n�o quer nada
Pode continuar?
Nosso amor
N�o cansa de durar
Sempre foi assim
Sempre ser�
N�o se pode esperar muito disso
Mas tamb�m por que esperar?
Se falei de voc�
S� falei por falar
(n�o tinha mais de quem falar)
Se fiquei com voc�
S� fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)
Infeliz de quem vem
At� aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)
Sem saber se esse amor
Inda vai decolar
(se cola pode decolar)
- Dante Ozzetti e Luiz Tatit
23.11.05
agora com lim�
morri de rir com a apari��o blogu�stica de dot�ra tatiana, aquela que avacalha meu brog... e agora com lim�o!
ui.
algu�m est� certo de que lobo priscillo n�o � personagem de algum desenho animado? essa � a pergunta que n�o quer calar.
vejam a� abaixo o post da mo�a e descubram - ou inventem novos - mist�rios sobre o lobo priscillo...
.......
Atendendo Solicita��es
Tinha esse garotinho de 4 anos aproximadamente que precisava de fazer sua carteira de identidade... ao ter seus dedinhos manchados com aquela tinta preta e pegajosa o fulaninho iniciou pranto copioso... sua m�e, no ensejo materno de dar t�rmino ao sofrimento do rapazinho disse: "Mas filho, n�o fique triste, isso � muito comum, o Lobo Priscillo j� teve que fazer carteira de identidade v�rias vezes.." O molequinho, mais que depressa respirou fundo e sussurrou com um solu�o entrecortado "Lo-lobo Pri-ci-o � meu amigo... Pri-ci-o".
Agora fala s�rio, � a primeira vez que eu ou�o falar de uma crian�a que tem um amigo imagin�rio que � um Lobo, e como se n�o bastasse o nome dele � PRISCILLO (gosto mais com dois Ls), n�o obstante, a m�e disse que esse Lobo � russo e que vive viajando pelo mundo, por isso tem v�rios passaportes e vive fazendo carteiras de identidade...
Mais um contrasenso, um Lobo que se chama Priscillo!!! Ren� sugeriu que fosse feito um filme : "Priscillo - o Rainha das Estepes", na verdade n�s achamos que o lobo se chama Priscilla (nome de guerra) mas pede ao garoto: "Se sua m�e perguntar fala que meu nome � PriscillO, Pris-ci-llO!"
At� parece que engana algu�m... hum sei....
- agora com lim�o. nas melhores casas do ramo. e da copa tamb�m!
20.11.05
OS A�OUGUEIROS FELIZES
C'est le tango des bouchers de la Villette
C'est le tango des tueurs des abattoirs
Venez cueillir la fraise et l'amourette
Et boire du sang avant qu'il soit tout noir
Faut qu'�a saigne
Faut qu'les gens ayent � bouffer
Faut qu'les fros puiss'nt goinfrer
Faut qu'les p'tils puiss'nt engraisser
Faut qu'�a saigne
Faut qu'les mandatair's aux halles
Puiss'nt s'en fourrer plein la dalle
Du filet � huit cents balles
Faut qu'�a saigne
Faut qu'les peaux se fass'nt tanner
Faut qu'les pieds se fass'nt paner
Que les t�t's aill'nt mariner
Faut qu'�a saigne
Faut avaler de la barbaque
Pour �t'bien gras quand on claque
Et nourrir des vers comaques
Faut qu'�a saigne
Bien fort !
Esse � o tango do a�ougueiro ali da esquina
Do carniceiro e da cozinheira assassina
Venham comer morango e gelatina (vermelha!)
E beber sangue antes de coagular
Tem que sangrar!!
Pessoas precisam comer
Gordos precisam engordar
Crian�as precisam crescer
Tem que sangrar!
Para que os comerciantes
Encham o bolso enquanto antes
Vendam fil� sangue ou barbante
Tem que sangrar!
Com o couro fa�a um palet�
Com os p�s um mocot�
Coma a cabe�a com jil�
Tem que sangrar!
Coma tudo at� o pulm�o
Para morrer bem gord�o
E criar vermes no caix�o
Tem que sangrar!
Esse � o tango da Pol�cia Militar
Grande orgulho do povo brasileiro
Esse � o tango da viol�ncia salutar
Esse � o tango homenagem ao coveiro
Tem que sangrar!
Bata dos p�s at� a cabe�a
S� espere que anoite�a
Bata bem e desapare�a
Tem que sangrar!
Bate antes pensa depois
Matar tr�s � melhor que dois
O tempo do bl� bl� bl� j� foi
Tem que sangrar!
Se n�o � voc� quem mata
Outro vem e a fama lhe escapa
E ainda te chamam de babaca
Tem que sangrar!
Amanh� ser� sua vez
Amanh� ser� seu dia
Sem amor sem alegria
Tem que sangrar!
(Boris Vian e Jimmy Walter - vers�o de Let�cia Coura)
17.11.05
participem!
O Verbeat � uma n�o-organiza��o n�o-ideol�gica n�o-lucrativa. Entre suas iniciativas est� a articula��o do N�s na Rede (a��es coordenadas de blogagem coletiva sobre assuntos pol�micos).
At� o dia 25 de novembro, o pessoal do Verbeat est� realizando uma pesquisa na web sobre os blogues no Brasil. � a primeira vez que uma pesquisa dessas � feita. O question�rio est� muito bem feito, aborda v�rias quest�es sobre ler e fazer blogues e tem o objetivo de entender melhor como as pessoas lidam com os blogues hoje em dia.
Convido todos a responderem o question�rio:
Pesquisa Blogosfera Brasil
- dica do marcelo ter�a-nada!
15.11.05
B�la Pap, To neil young.
encontrei no est�dio de poesia experimental
Um romano chamado Brutus
Fodia uma puta, abruptus.
Mas antes do jato,
Sofreu um infarto.
Morreu num coito interruptus.
encontrei aqui: germina: revista de literatura e arte. lindo site e �timo conte�
a can��o de amor de j. alfred prufrock
leiam eliot: ele n�o � chato. ia colocar um poema aqui, mas � grande e o pessoal reclama. ent�o, est� dispon�vel aqui, na tradu��o do ivan junqueira, se n�o mengano.
sem bl� bl� bl�
antes que o dia acorde
bater perna
pisar pedra em ouro preto
(chacal)
ouro preto, ouro preto. tive medo da cidade me engolir e nunca mais eu ter vontade de voltar pra casa. mas voltei, como boa mo�a.
pessoas bon�ssimas, boniss�ssimas, nos acolheram na maior alegria. encontrei amigos. ouvi poetas que me fizeram pensar que nem tudo est� perdido.
leiam o fabr�cio carpinejar, minha gente. ou�am o que ele tem a dizer. leiam o blog, os livros. pe�am para ele tocar nas paradas de sucesso. o cara � porreta. e n�o tem bl� bl� bl�
13.11.05
GAROTA NASCE COM O CORA��O NA M�O NA �NDIA
M�dicos indianos est�o lutando para salvar um garota que nasceu com o cora��o fora do peito, o qual estava ligado a uma das m�os, informou o m�dico S.K. Pambhoi neste domingo.
"O beb� tem um cora��o externo totalmente desenvolvido entre o seu pesco�o e sua clav�cula. Quando nasceu, ela o segurava com a m�o direita", disse o m�dico s�nior do governo � Reuters.
M�dicos disseram que eles separaram a m�o do cora��o, mas o beb�, de uma fam�lia pobre que mora em Korba, regi�o central de Chhattisgarh, pode morrer se n�o passar por uma cirurgia imediatamente.
"O cora��o dela est� conectado �s art�rias e veias. A cirurgia � a melhor op��o para inseri-lo e fix�-lo no lugar certo", disse Pambhoi. "H� uma grande possibilidade de infec��o. Portanto, � necess�ria uma r�pida cirurgia."
tirei daqui
10.11.05
o polvo de deus
O grupoPOESIAhoje convida pessoas bon�ssimas, melhor dizendo, boniss�ssimas, como voc�, para seguir com o povo de Deus em Ouro Preto, durante o F�rum das Letras, em uma Prociss�o de F�.
Data: 11 de novembro, sexta-feira antes do feriado
Local: Anexo do Museu da Inconfid�ncia - Ouro Preto - MG
Hor�rio: 22h
Prociss�o de F� reorganiza elementos do Barroco, reinventando e desconstruindo o imagin�rio mineiro e crist�o.
O grupoPOESIAhoje � formado por Julius C�sar, Lenise Regina, Let�cia F�res, Luciana Moreno, Michel Mingote e Renata Cabral
http://www.daletras.com.br/poesiahoje
http://forumdasletras.ufop.br
8.11.05
na esfera da produ��o de si-mesmo
XIII em diante
Tenho fome de me tornar em tudo que n�o sou tenho fome de fiction ficciones fiction�rios tenho fome das fric��es de ser contra ser tudo que n�o sou ser de encontro a outro ser tenho fome do abra�o de me tornar o outro em tudo que n�o sou me tornar o outro em tudo me tornar o outro a outra douto doutra em tudo em tudo que n�o sou me tornar o outro de me me tornar o nome distinto o outro distinguido por um nome distinto do meu nome distinto tenho fome de me tornar no que se esconde sob o meu nome embaixo do nome no subsolo do nome o sob nome o sobnome e por uma fresta num abra�o cont�guo penetra passa habitar o fiction�rio que me tornei em tudo que feixe de n�o fixas ficciones sou em tudo por tudo por uma fresta de tudo por uma fresta tudo se fixa por uma toda por uma toda fresta as fixa��es penetram passam a habitar o ficcion�rio que me habituei em ME me ME tornar em tudo todo o TUDO personas personagens bailes de m�scaras reais que pessoas que penetram que pessoas penetram pelas frestas e num abra�o cont�nuo se casam fazem casa e se inscrevem e se incrustam m�scaras moluscas no meu rosto me tornar uma escala crescente milesimal centesimal decimal inteira a face dum baile de m�scaras reais vir a ser este fiction�rio que n�o sou me casar que ainda AINDA que n�o sou e que sou sempre sempre quando quando sempre tenho fome qual a escala crescente ou decrescente pra saber se um mil�simo cent�simo d�cimo inteiro todo ou fra��o todo meu fiction�rio ser se revelou no abra�o cont�nuo cont�guo em que se desvelou tornar tudo tenho fome de me tenho fome de de de tornar EM tudo que n�o sou EU esta pessoa que est� aqui falando na primeira pessoa eu do singular esta pessoa singular que sou eu pronome pessoal irredut�vel enquanto pronome mas que mas que se esconde se expande se estende sob o embaixo do no sub solo do pronome eu pessoal irredut�vel e � qualquer coisa al�m aqu�m qualquer alter outrem outra coisa al�m aqu�m alter outrem que mora no subsolo do pronome pessoal eu um sob pronome qualquer dia destes passo pra te ver gosto de te como voc� nem imagina nem fictiona nem funciona sem teu fiction�rio pra imaginar e � uma alegria muito grande n�o tenho de que me queixar � uma alegria muito grande estar aqui entre pessoas bon�ssimas � uma alegria muito grande conviver com voc�s todos neste dado neste dia dado em que uso da palavra pra me dirigir em agradecimento a todas as pessoas bon�ssimas boniss�ssimas que me acolhem sempre na maior alegria me acolhem me aquecem � uma grande alegria � uma alegria muito grande n�o tenho do que me queixar � uma alegria muito estar fruindo entre pessoas bon�ssimas melhor dizendo boniss�ssimas neste dado neste dia dado em que uso tenho o que n�o sou para meu uso e com o mesmo fuso fundo de fundar fundo de fundar fundo de fundir e com o mesmo fuso fundo a fome e a saciez num mesmo uso eu fundo e n�o sou tudo que uso tenho fome de me tornar tenho fome de me tenho fome de tenho fome tenho um fundition�rio fundicion�rio fruicion�rio confition�rio friccion�rio e das fric��es de fiction que sou com a fiction que n�o sou me aque�o me aquece me d� calor me acalece mas que fiction sou e que fiction n�o sou se me componho do que fundo do que se funde do fundido do confundido se o que n�o sou � uma composi��o que compunge o que n�o sou e � uma grande alegria quando quando me tornar o que n�o sou e o N�O e o negro e o negativo e a noite e o vir a ser e o me tornar e o me tornar e o futuro e o passado e o fundido fundido no presente deste dia dado que toco deste dia dado que me toca tenho de me tornar em tudo que toco e o que me toca deste dia dado e nada nada nada - pode deixar passar de leve o vento por entre as frestas dos meus dedos que posso deixar passar de leve o vento por entre as frestas dos seus dedos que nada se esconde sob o nome da palavra NADA nada nada - os passos
os passos
leves
do vento
os passos leves do ventopor entre nos interst�cios - Waly Salom�o, revista Navilouca.
6.11.05
manifesto de rog�rio sganzerla
1 � Meu filme � um far-west sobre o III Mundo. Isto �, fus�o e mixagem de v�rios g�neros. Fiz um filme-soma; um far-west mas tamb�m musical, document�rio, policial, com�dia (ou chanchada?) e fic��o cient�fica. Do document�rio, a sinceridade (Rossellini); do policial, a viol�ncia (Fuller); da com�dia, o ritmo an�rquico (Sennett, Keaton); do western, a simplifica��o brutal dos conflitos (Mann).
2 � O Bandido da Luz Vermelha persegue, ele, a pol�cia enquanto os tiras fazem reflex�es metaf�sicas, meditando sobre a solid�o e a incomunicabilidade. Quando um personagem n�o pode fazer nada, ele avacalha.
3 � Orson Welles me ensinou a n�o separar a pol�tica do crime.
4 � Jean-Luc Godard me ensinou a filmar tudo pela metade do pre�o.
5 � Em Glauber Rocha conheci o cinema de guerrilha feito � base de planos gerais.
6 � Fuller foi quem me mostrou como desmontar o cinema tradicional atrav�s da montagem.
7 � Cineasta do excesso e do crime, Jos� Mojica Marins me apontou a poesia furiosa dos atores do Br�s, das cortinas e ru�nas cafajestes e dos seus di�logos aparentemente banais. Mojica e o cinema japon�s me ensinaram a saber ser livre e � ao mesmo tempo � acad�mico.
8 � O solit�rio Murnau me ensinou a amar o plano fixo acima de todos os travellings.
9 � � preciso descobrir o segredo do cinema de Lu�s poeta e agitador Bu�uel, anjo exterminador.
10 � Nunca se esquecendo de Hitchcock, Eisenstein e Nicholas Ray.
11 � Porque o que eu queira mesmo era fazer um filme m�gico e cafajeste cujos personagens fossem sublimes e bo�ais, onde a estupidez � acima de tudo � revelasse as leis secretas da alma e do corpo subdesenvolvido. Quis fazer um painel sobre a sociedade delirante, amea�ada por um criminoso solit�rio. Quis dar esse salto porque entendi que tinha que filmar o poss�vel e o imposs�vel num pa�s subdesenvolvido. Meus personagens s�o, todos eles, inutilmente bo�ais � ali�s como 80% do cinema brasileiro; desde a estupidez tr�gica do Corisco � bobagem de Boca de Ouro, passando por Z� do Caix�o e pelos p�rias de Barravento.
12 � Estou filmando a vida do Bandido da Luz Vermelha como poderia estar contando os milagres de S�o Jo�o Batista, a juventude de Marx ou as aventuras de Chateaubriand. � um bom pretexto para refletir sobre o Brasil da d�cada de 60. Nesse painel, a pol�tica e o crime identificam personagens do alto e do baixo mundo.
13 � Tive de fazer cinema fora da lei aqui em S�o Paulo porque quis dar um esfor�o total em dire��o ao filme brasileiro liberador, revolucion�rio tamb�m nas panor�micas, na c�mara fixa e nos cortes secos. O ponto de partida de nossos filmes deve ser a instabilidade do cinema � como tamb�m da nossa sociedade, da nossa est�tica, dos nossos amores e do nosso sono. Por isso, a c�mara � indecisa; o som fugidio; os personagens medrosos. Nesse Pa�s tudo � poss�vel e por isso o filme pode explodir a qualquer momento.
um �dolo/uma besta
.j� que a gente n�o pode fazer nada, a gente avacalha. avacalha e se esculhamba todo.
roque mariano
ESSE HOMEM VIVE DE GASOLINA H� 26 ANOS
esse homem nunca comeu arroz nem feij�o. nunca bebeu �gua.
ELE BEBE 2 LITROS DE GASOLINA POR DIA
ELE BEBE DE CANUDINHO
o pai dele conta que ele ainda rec�m-nascido j� tinha o h�bito de tomar a gasolina que se esparramava na sua oficina de consertar bicicletas e carros leves.
toda vez que ele era advertido a n�o tomar gasolina, chorava copiosamente.
- recorte avacalhado de "Ariadnesca", waly salom�o, me segura qu'eu vou...
5.11.05
olho de lince
Quem fala que sou esquisito,
herm�tico
� porque n�o sou, dou sopa
estou sempre el�trico
nada se aproxima,
nada me estranha
Fulano, sicrano, beltrano
Seja pedra, seja planta
seja bicho, seja humano
quando quero saber o que ocorre � minha volta
Ligo a tomada, abro a janela, escancaro a porta
experimento, invento tudo,
nunca me iludo
Quero crer no que vem por a�
beco escuro
me iludo passado, presente futuro
Urro arre!
Uivo, balan�a,
reviro na palma da m�o o dado
Presente, futuro, passado
Tudo sentir de todas as maneiras
� a chave de ouro do meu jogo
� f�sforo que acende o fogo
da minha mais alta raz�o
na seq��ncia de diferentes naipes,
quem fala de mim
tem paix�o
- Waly Salom�o, Me segura qu`eu vou dar um tro�o.
venham! venham todos!
BACH ROUCO E MINEIRO
11/11
sexta-feira
grupoPOESIAhoje, �s 22h, no anexo do museu da inconfid�ncia, no f�rum das letras, em ouro preto, com a prociss�o de f�.
3.11.05
nu com a minha m�sica
�s vezes � solit�rio viver
deixo fluir tranq�ilo
naquilo tudo que n�o tem fim
eu que existindo tudo comigo
depende s� de mim
vaca, manac�, nuvem, saudade,
cana, caf�, capim
coragem grande � poder dizer sim
- caetano veloso, outras palavras
onde andarilha?
eu ser eu tem me dado uma sensa��o boa. acho que nunca tinha sentido isso. tomo, pela manh�, o "caf� let�cia" comprado em montes claros e fico pensando se isso seria uma esp�cie de metalinguagem. subo no �nibus e encontro, pela primeira vez, meu poema l�, esticado, sem pagar passagem. volto a pensar se tamb�m seria uma forma de metalinguagem eu no �nibus do meu poema. vou trabalhar e descubro que a reda��o que tenho em m�os foi copiada, pelas metades, da coluna "vejetal" da lya luft. n�o me vem � cabe�a metaliguagem. vejo a aluna pegar a reda��o corrigida e rir, como se eu fosse uma imbecil. levanto-me e explico os meus porqu�s. fico puta porque ainda a ou�o dizer que n�o sabia bem o que queria com aquilo. saio do trabalho. entro no �nibus, encosto a cabe�a no vidro e me esque�o da aluna imbecil, do poema, caf� e metalinguagem, enquanto me lembro do mais belo sorriso de soslaio que tive o prazer de ver nos �ltimos tempos.
finalmente: o mist�rio revelado
O problema do Brasil, � a sua inclina��o natural para o inferno...
O caso da cenoura do Mario Gomes foi plantado (?) pelo ent�o diretor da rede globo Daniel Filho. Mario Gomes estava come�ando a sua carreira de ator gal� global, e para completar j� estava comendo a Beth Faria. Daniel Filho ficou indignado com o relacionamento dos dois, afinal, Beth Faria havia terminado com ele h� apenas duas semanas, portanto, aquilo l� tinha tudo a ver com trai��o, para difamar o Ricard�o e afastar definitivamente o cheiro de chifre queimado, pagou uma mixaria a um rep�rter vagabundo para espalhar o boato, a historia foi contada e desmentida v�rias vezes na dec�da de 70/80, mas como no Brasil, ningu�m se interesa pela verdade, seja ela qual for... o desgra�ado do Mario Gomes paga at� hoje pela cenoura que n�o comeu. Esta vers�o foi contada pelo pr�prio Daniel Filho, em seu livro, em que, entre outras coisas, afirma ter comido 90% das atrizes da Globo e que Tarcisio Meira e o falso caipira Mazaropi foram namoradinhos.
- roubei daqui
