31.7.05

Dia 03/08, quarta-feira, entrega dos cartazes dos selecionados no concurso arte no �nibus. �s 10h no Museu Ab�lio Barreto. At�

piores poemas

[extra�do, como um siso, do blog do leo, o salamalandro] essas tradu��es ganharam "men��o honrorosa" na bienal dos piores poemas, em 2004. parab�ns. os autores? claro, eu, a let�cia f�res e o anderson almeida. O Mar Portugu�s Fernando Pessoa � mar salgado, quanto do teu sal S�o l�grimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas m�es choraram, Quantos filhos em v�o rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, � mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma n�o � pequena. Quem quer passar al�m do Bojador Tem que passar al�m da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele � que espelhou o c�u. ................. Omar, Portugu�s Mar Morto, Mar Mita, Mar Mota Omar Salgado, quanto do teu sal Veio salgar meu bacalhau! Por nos cruzarmos, quantas m�es choraram, Quantas noivas na m�o ficaram! Quantas mo�as est�o a navegar Para que fosses o meu Omar! Foi bom pra voc�? Se a sardinha n�o for pequena Ainda vale a pena! Quem quer passar a m�o no beijador Tem que pegar no trovador. Dei, Omar, para o Pedrinho e pro Francisco dei, Mas como voc� jamais provei. ....................... Alma minha gentil, que te partiste Luiz Vaz de Cam�es Alma minha gentil, que te partiste T�o cedo desta vida, descontente, Repousa l� no C�u eternamente E viva eu c� na terra sempre triste. Se l� no assento et�reo, onde subiste, Mem�ria desta vida se consente, N�o te esque�as daquele amor ardente Que j� nos olhos meus t�o puro viste. E se vires que pode merecer-te Alg?a cousa a dor que me ficou Da m�goa, sem rem�dio, de perder-te, Roga a Deus, que teus anos encurtou, Que t�o cedo de c� me leve a ver-te, Qu�o cedo de meus olhos te levou. ..................... � maminha gentil, que te partiste Para Glauco Mattoso Cecil B. DeMilus, Sophia DuLoren, Laurinha Trifil � maminha gentil, que te partiste T�o cedo deste corpo adolescente, Lembra da tua irm�, discretamente, E viva eu aqui, sem ti, em riste. Se l� no lado esquerdo j� ca�ste E sonhas em voltar aqui pra frente, E com vergonha a sua dona, deprimente, N�o tem como esconder e fica triste. E se ainda quiseres reerguer-te Pois arranjes refor�ado suti�. Dou-te com bondade esse macete. � de gra�a. Mas j� sei, ca�da irm�, Que por enquanto s� vou ver-te Indo � puta-que-pariu de rolim�

30.7.05

vejam... o castanho � o que h�...

26.7.05

o m�ximo das m�ximas

neste fim de semana vi na rede minas um document�rio sobre o bar�o de itarar�, "o m�ximo das m�ximas". engra�ado como frases que eu tinha como dito popular s�o inven��es do bar�o: "em briga de marido e mulher n�o metas a colher", "pobre s� vai pra frente quando empurrado", entre outras. mas o que mais me fascinou foi uma hist�ria sobre o bar�o, contada por leandro konder, que reproduzo aqui, de mem�ria. o bar�o foi preso durante a ditadura de vargas. quando perguntado pelo juiz se sabia do motivo de sua pris�o, disse que sabia sim. que o motivo era o cafezinho. - cafezinho? - �. desde pequeno gostava muito de tomar cafezinho e minha m�e sempre dizia que era pra eu ter cuidado com aquilo, que muito cafezinho n�o ia me fazer bem. pois certo dia, justo quando eu me preparava para tomar o meu d�cimo cafezinho a pol�cia entrou na reda��o e disse que eu seria levado preso. imediatamente eu percebi que o culpado daquilo era o cafezinho. ... n�o poderia deixar de citar aqui um l�pis de mem�ria (conhecido como "lagoinhas" por paulavon) nos meus idos de vendedora de livros. o cliente perguntou se t�nhamos livros do bar�o de itarar�. n�o sei por que cargas d'�gua liguei o itarar� a algum som a�reo e disse que n�o, n�o t�nhamos livros daquela �rea. o cliente me olhou espantado e entre um malentendido e outro acudiu: n�o, o bar�o de itarar� n�o era nenhum patrono da aeron�utica. hoje n�o posso deixar de pensar que o tal do apar�cio deve ter dado boas gargalhadas l� de cima.

as portuguesas afiadas

tenho encontrado muitos blogs portugueses nessas minhas andan�as virtuais... e inexplicavelmente a maioria dos autores s�o na verdade autoras, exceto um ou outro, como o poeta (angolano, pois n�o?) valter hugo m�e. peguei-me a sorrir pensando que as portuguesas s�o afiadas mesmo. ironia afiada. gosto disso. e sorrio tamb�m sentindo o estranhamento da l�ngua: quase a mesma e com a linguagem/paisagem muito diferentes. ent�o, quando puderem, d�em uma olhada no azul lim�o e no blog da ale (coloquei um link aqui h� poucos dias). l� voc�s encontram v�rios links de portuguesas de respeito. e aproveito para colocar aqui um poema que a e-limonada me fez lembrar. da ad�lia lopes. ta�. UM FIGO Deixou cair a fotografia um desconhecido correu atr�s dela para lhe entregar ela recusou-se a pegar na fotografia mas a senhora deixou cair isto porque isto n�o � meu n�o queria que ningu�m e sobretudo um desconhecido suspeitasse que havia uma rela��o entre ela e a fotografia era como se tivesse deixado cair um len�o cheio de sangue porque era ela quem estava na fotografia e nada nos pertence tanto como o sangue por isso quando uma pessoa se pica num dedo leva logo o dedo � boca para chupar o sangue o desconhecido apercebeu-se disso � um retrato da senhora pode ser o retrato de algu�m muito parecido comigo mas n�o sou eu o desconhecido por ser muito bondoso n�o insistiu e como sabia que os mendigos n�o t�m dinheiro para tirar fotografias deu a fotografia a um mendigo que lhe chamou um figo

23.7.05


portrait d'edward james (la reproduction interdite), ren� magritte

automat, edward hooper

19.7.05

indica��o de c�ntia fran�a problemas conjugais mau-olhado e hermen�utica. confidencialidade absoluta. crises de identidade bovary, resolu��o em 24 horas. fazemos domic�lio. t� l� no moro aqui, ex-torneiras de freud
Leio Jo�o Cabral e vou pouco concordando com as opini�es sobre ele que sempre encontro por a�. Para mim, a obsess�o formal a que o poeta pernambucano se imp�e n�o chega � impessoalidade, como dizem. � certo que ele n�o � afeito a arroubos e a subjetividades - � f�cil perceber. O formalismo, o comedimento, a avers�o a solu��es f�ceis, aparecem como um gesto de amor, um cuidado com a mat�ria que est� sendo trabalhada. Mat�ria fr�gil que o poeta n�o exp�e, incrusta cada vez mais na pedra. Mas de alguma forma � nesse jogo de esconde-esconde que a beleza do poema se revela. Como se, desviando-se da poesia, o poeta a cercasse por todos os lados, mostrando-nos seu contorno. E aproveito a ambig�idade do �seu� para me referir tamb�m ao poeta. N�o estou querendo aqui escrever algo acad�mico sobre o Jo�o Cabral. Eu s� queria dizer que a poesia dele n�o � t�o carrancuda como sempre dizem por a�. No meio dessas pedras que ele coloca para atravancar nosso caminho, � poss�vel encontrar um certo humor, ou melhor, uma ironia certeira. Acredito que a dificuldade que colocam como obst�culo para a leitura de Jo�o Cabral s� serve para encarcerar a poesia dele entre os muros de certa elite intelectual. � s� levar um cantil para a travessia: a paisagem � linda. E a� abaixo - pra n�o dizer que n�o falei de flores - vai um poema do supracitado (sempre penso em supra-excitado quando leio isso...) e, mais abaixo ainda, outro, s� que do Waly, o Salom�o. Agradecida. D�vidas Ap�crifas de Marianne Moore Sempre evitei falar de mim, falar-me. Quis falar de coisas. Mas na sele��o dessas coisas n�o haver� um falar de mim? N�o haver� nesse pudor de falar-me numa confiss�o, uma indireta confiss�o, pelo avesso, e sempre impudor? A coisa de que se falar at� onde est� pura ou impura? Ou sempre se imp�e, mesmo impura- mente, a quem dela quer falar? Como saber, se h� tanta coisa de que falar ou n�o falar? E se o evit�-la, o n�o falar, � forma de falar da coisa? - t� no Agrestes. Lausperene Quase qualquer antologia da atual poesia nacional: seq��ncia segue seq��ncia de poema-piada e pseudo-haicai. Ou o pior de tudo e o mais usual: brevidade-n�o concis�o brevidade-camuflagem de poema travado engolido pra dentro. Belo � quando o seco, r�gido, severo esplende em flor. Seu nome: Cabral. Nome de descobridor. - do Algaravias.

18.7.05

CORA��O LOGRADO Meu cora��o baba na popa Triste e cheirando a caporal V�m-lhe jogar jatos de sopa, Meu cora��o baba na popa: Sob os apupos dessa tropa Que lan�a risos em geral, Meu cora��o baba na popa, Triste e cheirando a caporal ! Itif�licos, soldadescos, Foi por insultos depravado! Fazem, chegando a tarde, afrescos Itif�licos, soldadescos. Fluxos abracadabrantescos, Salvai meu cora��o coitado: Itif�licos , soldadescos, Foi por insultos depravado! Quando mascar n�o possam mais, Como agir, cora��o logrado? Ser�o refr�es de bacanais, Quando mascar n�o possam mais: Crises terei estomacais Se o cora��o for degradado: Quando mascar n�o possam mais, Como agir, cora��o logrado? - Rimbaud, trad. Ivo Barroso
A miss�o do poeta, se assim podemos cham�-la, � escrever poesia. Sua simples exist�ncia � um ato de resist�ncia contra a desumanidade cada vez maior que estamos padecendo. - Juan Gelman, em entrevista a Leo Gon�alves e Andityas Soares de Moura. SL fev. 2005.

LISTA #1

M�SICAS DO QUE N�O SE DIZ
- correria de dunas - rumor das folhas do desejo - modo de estalar os dedos - farfalhar de saias pelas escadas - retumbar de pedras e manadas - lava borbulhando sob a terra - minha cabe�a j� pelas tabelas - tremor de pernas na Mal�sia - esta espuma de sil�ncios arredios - o mar que m�i o vento - palavra s�nica de avi�es - rel�mpagos ou harmonia para um olhar

11.7.05

� proibido sonhar ent�o me deixe o direito de sambar

7.7.05

Flores do mais devagar escreva uma primeira letra escrava nas imedia��es constru�das pelos furac�es; devagar me�a a primeira p�ssara bisonha que riscar o pano de boca aberto sobre os vendavais; devagar imponha o pulso que melhor souber sangrar sobre a faca das mar�s; devagar imprima o primeiro olhar sobre o galope molhado dos animais; devagar pe�a mais e mais e mais Flores do Mais, Flores do Mal
O poema �Flores do mais�, do livro p�stumo de Ana Cristina Cesar, In�ditos e Dispersos, parece uma li��o de poesia, uma esp�cie de ars poetica onde s�o explorados temas que ecoam por toda a obra da poeta. A tens�o entre a confiss�o e a fic��o - e um certo erotismo que surge a partir dessa fric��o. A palavra como sedu��o. O jogo entre poeta/ leitor como uma esp�cie de flerte, algo como um �decifra-me ou devoro-te�, que se desdobra infinitamente. O poema constru�do como uma teia para seduzir o leitor, esp�cie de voyeur, �vido para saber a verdade do poema e do poeta. Contudo, o eu-l�rico, muito bem arquitetado, consegue fugir sempre, entremeando-se � multid�o, discreto. Essa multid�o em que Ana Cristina Cesar se esconde e observa n�o � apenas a dos passantes sem nome, como no conto de Edgard Allan Poe. Ou melhor, a poeta aparece como uma flaneuse que destitui as indentidades ao mesclar v�rios g�neros e discursos. Uma esp�cie de olhar inaugural sobre o mundo (devagar imprima/ o primeiro/ olhar/ sobre o galope molhado/ dos animais;�), re-significando-o, � sua maneira - a �festa do intelecto�, de que fala Paul Verlaine. Charles Baudelaire*, Sylvia Plath** (dois poetas que tamb�m s�o marcados pela tens�o entre o rigor formal e a emo��o, pelos temas da morte, do horror, do desconhecido, e do amor), o fazer po�tico, o cinema, o discurso amoroso, tudo isso se dissolve, se torna an�nimo, quando transportado para uma outra pequena multid�o, o poema. �Flores do mais� poderia ser dividido em pequenos takes, lembrando um passeio em Super Oito. Em slow motion. Ou flashes de uma escrita que se constr�i sobre um vazio, sobre algo que n�o � mais, constru�do a partir de sua pr�pria desconstru��o - as �imedia��es constru�das/ pelos furac�es;�. E que, embora queira ser uma outra via, uma outra voz, n�o pode prescindir da letra, a escrava do poeta - ou seria o contr�rio? -, para se reinventar. No poema s�o tecidas imagens que relacionam o fazer po�tico � proximidade com o horror, com a morte, com o indiz�vel. Um poema que se lan�a vertiginosamente ao abismo, num ritmo lento, cuidadoso. Sempre insatisfeito, em busca de algo al�m. O "mal" instaurado. Lan�ado na p�gina como num jogo de sedu��o. * Baudelaire � aqui citado devido � clara alus�o que h� ao seu livro Flores do Mal no t�tulo do poema de Cesar. **"Flores do mais" parece ter uma estreita rela��o com o poema "Words", de Plath, j� traduzido por Ana Cristina Cesar.

3.7.05

"N�o se escreve com as pr�prias neuroses. A neurose, a psicose n�o s�o passagens de vida, mas estados em que se cai quando o processo � interrompido, impedido, colmatado. A doen�a n�o � o processo, mas a parada do processo, como 'no caso Nietzsche'. Por isso o escritor, enquanto tal, n�o � doente, mas antes m�dico, m�dico de si pr�prio e do mundo. O mundo � um conjunto de sintomas cuja doen�a se confunde com o homem. A literatura aparece, ent�o, como um empreendimento de sa�de: n�o que o escritor tenha for�osamente uma sa�de de ferro (...) mas ele goza de uma fr�gil sa�de irresist�vel, que prov�m do fato de ter visto e ouvido coisas demasiado grandes para ele, fortes demais, irrespir�veis, cuja passagem o esgota, dando-lhe contudo devires que uma gorda sa�de tornaria imposs�veis. Do que viu e ouviu, o escritor regressa com os olhos vermelhos, com os t�mpanos perfurados. Qual sa�de bastaria para libertar a vida em toda parte onde esteja aprisionada pelo homem e no homem, pelos organismos e g�neros e no interior deles?" - Deleuze, Cr�tica e Cl�nica.

em tempos como estes

The Firebombers We are America. We are the coffin fillers. We are the grocers of death. We pack them like cauliflowers. The bomb opens like a shoebox. And the child? The child is certainly not yawning. And the woman? The woman is bathing her heart. It has been torn out of her and because it is burnt and as a last act she is rinsing it off in the river. This is the death market. America, where are your credentials?
Os Bombardeiros N�s somos a Am�rica. N�s somos os fornecedores de cad�veres. N�s somos os merceeiros da morte. N�s os amontoamos em caixotes como couve-flor. A bomba se abre como uma caixa de sapato. E a crian�a? A crian�a certamente n�o est� bocejando. E a mulher? A mulher est� lavando seu cora��o. Ele foi arrancado dela e porque ele foi queimado e como um �ltimo ato ela o enx�gua no rio. Este � o mercado da morte. Am�rica, onde est�o suas credenciais?
- o poema � da Anne Sexton, The Book of Folly. a tradu��o, de C�ntia Fran�a e euzinha aqui.

o que � poesia?

ontem, jogando "perfil", fomos surpreendidos por uma ficha, com a seguinte dica: as tatu�ras moram em mim. fiquei pensando que bem que poderia ser um verso isso. do manoel de barros, claro.
O poema: uma cavalgada de met�foras que se empinam. - Jean Epstein.

1.7.05

Essa velocidade de pensamento, de que o cinema nos d� o registro e a medida que explica em parte a est�tica da sugest�o e da sucess�o, � encontrada tamb�m na literatura. Em alguns segundos, � preciso for�ar a porta de dez met�foras, sen�o a compreens�o se perde. Nem todo mundo pode acompanhar; as pessoas de racioc�nio lento est�o sempre em atraso, na literatura como no cinema, e bombardeiam o vizinho com perguntas. - Jean Epstein, O Cinema e as Letras Modernas
e o grande bastardo com um blog... guta que o pariu!... seu argentino disfar�ado de beatle...
acho que ainda n�o coloquei o link aqui... tsctsctsc... vejam l� no palavra sem nome: lenise regina, a rainha da bateria, e os respingos de arthur.
para c�ntia, a mo�a que n�o tem mem�ria piad�stica
o que s�o dois pontos depois de um per�odo? uma explica��o. e o que � um ponto-e-v�rgula depois de um per�odo? uma explica��o que parou no meio do caminho para respirar; e a� piscou.