26.6.05

LEMBRAN�AS DO NOSSO AMOR Qual berra a vaca do mar Dentro da casa do Fraga, Assim do defluxo a praga Em meu peito vem chiar. � minha vida rufar, Ingrato, neste tambor! V� que contraste do horror: Tu comendo marmelada, E eu cantando, aqui, na escada, Lembran�as do nosso amor! Se o sol desponta, eu me assento; Se o sol se esconde, eu me deito; Se a brisa passa, eu me ajeito, Porque n�o gosto de vento. E, quando chega o momento De te pedir um favor, Alta noite, com fervor, Canto, nas cordas da embira Da minha saudosa lira, Lembran�as do nosso amor! Mulher, a lei do meu fado � o desejo em que vivo De comer um peixe esquivo, Inda que seja ensopado. Sinto meu corpo esfregado E coberto de bolor... Meu Deus! Como faz calor! Ai! que me matam, querida, Saudades da Margarida, Lembran�as da Leonor! O anjo da morte j� pousa L� na estalagem do Meira, E l� passa a noite inteira Sobre o leito em que repousa. Com um peda�o de lousa, Ele abafa toda a dor, E, por um grande favor, Manda ao diabo a saudade, E afoga, por amizade, Lembran�as do nosso amor! - Bernardo Guimar�es, Poesia Er�tica e Sat�rica - org. Duda Machado. --------- t� enganada ou isso d� samba?

michel mingote parafernalizado

... Te despistaram, a placa sentido dire��o, fulgor da poeira do destino que se esvai. Depois, r�stia de suores no corpo, e uma mera imagem nas id�ias...

20.6.05

olha�, � o meu guri, olha�...

vencedores do concurso arte no �nibus

- P�gina do Apontamentos de Amor e Solid�o, de Mariana Alcoforado.

- Chacal: Vida. Anne Sexton: The Death Notebooks.

imagens da parafernaliza��o dos sentidos no POESIAhoje

19.6.05

como diria dulce veiga

Escrever � tornar-se, mas n�o � de modo algum tornar-se escritor. � tornar-se outra coisa. - Gilles Deleuze e Claire Parnet, Di�logos.
.e o blog do POESIAhoje de cara nova.
esses meus amigos derramados... � sempre bom lembrar desse tipo de coisa quando me pego segurando o choro vendo alguma comemora��o esportiva. um gol, uma cesta no �ltimo segundo. um piloto que conseguiu o melhor tempo no treino. qualquer coisa do g�nero basta para que as l�grimas tentem saltar... (� muito bom saber que n�o estou sozinha no mundo)

17.6.05

- � curioso, as crian�as v�o acabar tornando a humanidade mesquinha. (marguerite duras, moderato cantabile) eu tinha postado isso antes. mas hoje posto de novo para lembrar do dia em que superei a s�ndrome de dona filhinha pela manh�. e quase chorei numa defesa de tese, ao fim do dia. (que bonito �.)

16.6.05

campanha por um mundo mais silencioso

.desligue a britadeira que h� em voc�
Tenho medo de perder este sil�ncio. Vamos sair? Vamos andar no jardim? Por que voc� me trouxe aqui para dentro deste quarto? Quando voc� morrer os caderninhos v�o todos para a vitrine da exposi��o p�stuma. Rel�quias. Ele me diz com o ar um pouco mimado que a arte � aquilo que ajuda a escapar da in�rcia. Outra vez os olhos. Os dele produzem uma indiferen�a quando ele me conta o que � a arte. Estou te dizendo isso h� oito dias. Aprendo a focar em pleno parque. Imagino a onipot�ncia dos fot�grafos escrutinando por tr�s do visor, invis�veis como Deus. Eu n�o sei focar ali no jardim, sobre a linha do seu rosto, mesmo que seja por displic�ncia estudada, a mulher dif�cil que n�o se abandona para tr�s, para tr�s, palavras escapando, sem nada que volte e retoque e complete. Explico mais ainda: falar n�o me tira da pauta; vou passar a desenhar; para sair da pauta. - da ana cristina cesar, luvas de pelica. --- engra�ado quando coisas em que se pensa aparecem assim, brotadas, num escrito que foi lido h� tempos. .e o pior � quando voc� s� consegue escrever alguma coisa banal depois disso. pequeno di�rio dos olhos#1 minha polaroid sempiterna. desajustada. um dia de expositor aberto, foto exaustivamente iluminada. borr�es. ou um dia a kodakar. passeio por seus olhos, sempre eles. por desv�os. fios de interst�cios. foco: desajustado. extremamente perto. muito perto.

15.6.05

Comprei uns �culos novos, �culos dos mais excelentes. N�o t�m aros, n�o t�m asas, n�o t�m grau e n�o t�m lentes. - do guimar�es rosa. t� no tutam�ia.
Entre autres A l�ombre des arbres Comme au temps des miracles, Au milieu des hommes Comme la plus belle femme Sans regrets, sans honte, J�ai quitt� le monde. - Qu�avez-vous vu? - Une femme jeune, grande et belle En robe noire tr�s decollet�. Entre outros � sombra das �rvores Como no tempo dos milagres, No meio dos homens Como a mais bela dama Sem pesar, sem pejo, Eu abandonei o mundo. - O que voc� viu? - Uma mulher jovem, grande e bela Num decotad�ssimo vestido negro. * poema de paul eluard, do livro capital da dor, traduzido por let�cia f�res, a francoaf�nica, e leo gon�alves, o salamalandro, que tamb�m o desentupiu.

14.6.05

onde andar� ximena may?

12.6.05

parafernaliza��o dos sentidos

Instru��es de Uso

1. adquira um protetor ocular - infantil, porque deixa suas sobrancelhas � mostra (uau!). voc� encontra este produto nas melhores drogarias do ramo. 2. adquira uma caneta que escreva em superf�cies pl�sticas. 3. chame seus amigos (de copo de crush) para passear em algum lugar movimentado da cidade. 4. entregue a cada um de seus amigos um par do protetor ocular e a caneta. pe�a a eles que desenhem um par de olhos - um olho em cada oclusor. (o modelo dos olhos fica a crit�rio de cada um. 5. centralize o protetor ocular sobre o olho fechado a ser aplicado. coloque um protetor em cada olho (� sempre bom lembrar). 6. j� de posse de seus novos olhos, tente n�o ficar encolhido. voc�s tamb�m n�o precisam gritar como se fossem surdos. 7. se poss�vel, documente a experi�ncia. tente escrever algo ou ler um livro. veja com outros olhos os ambulantes e suas as mercadorias. acender um cigarro nestas condi��es tamb�m � algo deveras revelador. 8. quando se cansar, retire a parafern�lia dos olhos e siga o caminho que for de sua prefer�ncia. obrigada pela tens�o dispersada. ---- * parafernaliza��o � um conceito criado por julius, o caesar. ** no dia 10/10/05 a opera��o parafernaliza��o dos sentidos foi realizada pelo grupoPOESIAhoje - at� � meia-noite. *** lu moreno e alice, a lilica bicalho investigaram conosco outras percep��es. **** c�ntia fran�a cuidou-nos e documentou-nos.

10.6.05


ou a parafernaliza��o dos sentidos em lygia clark (ao menos d� um bom t�tulo de tese)
parafern�lia sf 1. Objetos de uso pessoal. 2. Equipamento necess�rio a cada atividade humana.