25.5.05

vem a�


jacqueline blisset, a nova musa do ver�
Para Mascar com Chiclets Quem subiu, no novelo do chiclets, ao fim do fio ou do desgastamento, sem poder n�o sacudir fora, antes, a borracha infensa e imune ao tempo; imune ao tempo ou o tempo em coisa, em pessoa, encarnado nessa borracha, de tal maneira, e conforme ao tempo, o chiclets ora se contrai, ora se dilata, e consubstante ao tempo, se rompe, interrompe, embora logo se reemende, e fique a romper-se, a reemendar-se, sem usura nem fim, do fio de sempre. No entanto quem, e saberente que ele n�o encarna o tempo em sua borracha, quem j� ficou num primeiro chiclets sem reincidir nessa coisa (ou nada). 2 Quem p�de n�o reincidir no chiclets, e saberente que n�o encarna o tempo: ele faz sentir o tempo e faz o homem sentir que ele homem o est� fazendo. Faz o homem, sentindo o tempo dentro, sentir dentro do tempo, em tempo-firme, e com que, mascando o tempo chiclets, imagine-o bem dominado, e o exorcize. - Jo�o Cabral de Melo Neto, A Educa��o pela Pedra.

24.5.05

� do julim, o julius. e a� fiquei pensando: POESIA para sangrar o corte ainda mais.
hoje estava eu catando feij�o. fiquei vendo como os gr�os s�o bonitos e me lembrei daquela frase de um personagem do cem anos de solid�o, o dono do sebo de macondo. ele diz algo como "a sabedoria tem de servir, ao menos, para nos ajudar a criar um jeito melhor de catar feij�o". n�o sei se � exatamente assim, mas � parecido. gosto dessa passagem porque h� uma id�ia de que a leitura deve servir para sermos pessoas mais felizes, pessoas melhores. e n�o para dar certo ar de arrog�ncia e pedantismo que � muito f�cil de ser encontrado por a�. inacreditavelmente, no fim do dia, este poema iluminou o meu caminho: Catar Feij�o A Alexandre O'Neill Catar feij�o se limita com escrever: jogam-se os gr�os na �gua do alguidar e as palavras na da folha do papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiar� no papel, �gua congelada, por chumbo seu verbo; pois para catar feij�o, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 2 Ora, nesse catar feij�o entra um risco: o de que entre os gr�os pesados entre um gr�o qualquer, pedra ou indigesto, um gr�o imastig�vel, de quebrar dente. Certo n�o, quando ao catar palavras: a pedra d� � frase seu gr�o mais vivo: obstrui a leitura fluviante, flutual, a�ula a aten��o, isca-a com o risco. ... ele � do jo�o cabral, t� no educa��o pela pedra.

Vista da nova sede da ATAC - Associa��o dos Trocadilhescos An�nimos Compulsivos. Admitem-se novos socioecon�micos. Av. Sinfr�nio Broxado, 171 - Barreiro Belorizontem - MG

21.5.05

frase-valise da semana ... e mam�e diz que ficar em casa escrevendo faz mal para minha pele (valentine, em a noite. mas bem que poderia ser de lilica bicalho...)

sobre o pacto ficcional

20.5.05

(neide dias de s�, sorria, rio)
fragmentos banais
com o pensamento em neide dias de s�
1. um dia foi como se um dia eu estivesse toda de frente para o mar. rocha de areia seca. um sem tempo sem fim. rocha oval cor de m�o que n�o tem nome. 2. me encosto na curva de suas m�os, toco o poema cor de coisa. cheiro de tato. 3. ainda porque o amor � um ato de hero�smo. 4. despisto seu nome, coisa do verbo sem registro. gravo seu corpo na mem�ria da minha m�o. 5. um jeito de amor que n�o me lembro: 1) recordar um modo de escrever. 2) lavar os p�s do noivo. 3) bordar um len�o com iniciais e um verso.
X. Eu fa�o versos como os saltimbancos Desconjuntam os ossos doloridos. A entrada � livre para os conhecidos... Sentai, Amadas, nos primeiros bancos! V�o come�ar as convuls�es e arrancos Sobre os velhos tapetes estendidos... Olhai o cora��o que entre gemidos Giro na ponta dos meus dedos brancos! "Meu Deus! Mas tu n�o mudas o programa!" Protesta a clara voz das Bem-Amadas. "Que t�dio!" O coro dos Amigos clama. "Mas que vos dar de novo e de imprevisto?" Digo... e retor�o as pobres m�os cansadas: "Eu sei chorar... Eu sei sofrer... S� isto!" .......... XVII Da vez primeira em que me assassinaram Perdi um jeito de sorrir que eu tinha... Depois, de cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha... E hoje, dos meus cad�veres, eu sou O mais desnudo, o que n�o tem mais nada... Arde um toco de vela, amarelada... Como o �nico bem que me ficou! Vinde, corvos, chacais, ladr�es da estrada! Ah! desta m�o, avaramente adunca, Ningu�m h� de arrancar-me a luz sagrada! Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai! Que a luz, tr�mula e triste como um ai, A luz do morto n�o apaga nunca! - s�o do m�rio quintana. rua dos cataventos.

16.5.05

Banzo Vis�es que n�alma o c�u do ex�lio incuba, Mortais vis�es! Fuzila o azul infando... Coleia, basilisco de ouro, ondeando O N�ger... Bramem le�es de fulva juba... Uivam chacais... Ressoa a fera tuba Dos cafres, pelas grotas retumbando, E a estralada das �rvores, que um bando De paquidermes colossais derruba... Como o guaraz nas rubras penas dorme, Dorme em nimbos de sangue o sol oculto... Fuma o saibro africano incandescente... Vai coa sombra crescendo o vulto enorme Do baob�... E cresce na alma o vulto De uma tristeza, imensa, imensamente... (Raimundo Correia - aquele, imensalmente)
banzo e a�, matilde como est�? penso que j� est� habituada n�o sente mais minha falta? n�o sente? eu tamb�m n�o sinto nada t� te escrevendo apenas por acaso ia passando vi sua foto me deu banzo sabe dessas crises de saudade e nostalgia j� n�o tinha isso h� muitos dias escrever proc� foi uma prova se c� pensa que foi f�cil foi f�cil uma ova eu fiquei l� durante dias mergulhado num dilema escrevo, n�o escrevo escrevo, n�o escrevo escrevo! 't� que valeu a carta ficou boa d� proc� ver que eu sou outra pessoa! tamb�m eu tava muito alucinado n�, matilde? eu via o seu vulto toda noite! hoje quando vejo j� nem ligo eu converso com seu vulto hoje somos bons amigos c� n�o sabe eu estou mais calmo e totalmente envolvido com o trabalho j� tenho outra menina n�o � linda mas j� d� pra quebrar o galho inda n�o temos problemas de casal tudo que eu fa�o ela ainda acha legal � que no come�o � assim mesmo n�, matilde? � s� depois que vira um temporal enfim, matilde a minha transa � esta voc� acha que d� certo ou c� acha meio besta? pode falar voc� s� vai 'tar me ajudando eu nem 'tou muito empolgado ali�s j� � tempo de voc� me contar tudo do seu lado que que c� faz na hora de dormir c� pensa em algu�m por exemplo, pensa em mim? pode me dizer com sua franqueza de costume n�o tenho mais nenhum ci�me e se voc� j� tem outro carinha quero que jogue no fogo essas mal tra�adas linhas! (luiz tatit)

a po�tica do pat�tico

60 segundos antes de um final feliz fazer um bolo dormir de madrugada acordar com buzina te sonhar. cantar como louco sorrir na janela te esperar. cheirar seus sapatos vestir suas roupas me rasgar. recitar poemas conjugar verbos rascunhar. me olhar no espelho escovar os dentes me banhar. comer uma lata melancia me empanturrar. pular da cadeira descer da janela e n�o saltar. arrancar os cabelos quebrar os espelhos me cortar. sentar no sof� abrir um sorriso comer uma flor e vomitar. molhar as plantas construir guirlandas me respeitar. morrer de medo enlouquecer desesperar. cair em mim jogado do c�u e repensar. procurar o rel�gio ouvir os ponteiros e constatar: em um minuto
todo segundo sem voc� pode matar
...... esse poema � do daniel ant�nio. n�o pedi permiss�o pra coloc�-lo aqui. tamb�m n�o sei se ele vai gostar. mas j� que o mo�o n�o hospeda os dele poemas n�algum lugar, f�-lo-hei aos pouquinhos. o que n�o pode � deixar belezura dando sopa dentro de gaveta.

14.5.05

Mal Secreto Se a c�lera que espuma, a dor que mora N'alma, e destr�i cada ilus�o que nasce, Tudo que punge, tudo que devora O cora��o, no rosto se estampasse; Se se pudesse, o esp�rito que chora, Ver atrav�s da m�scara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, ent�o piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, rec�ndito inimigo, Como invis�vel chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja ventura �nica consiste Em parecer aos outros venturosa! (Raimundo Correia, o Marqu�s do Pombal)

11.5.05

Mal secreto n�o choro meu segredo � que sou rapaz esfor�ado fico parado calado quieto n�o corro n�o choro n�o converso massacro meu medo mascaro minha dor j� sei sofrer n�o preciso de gente que me oriente se voc� me pergunta como vai? respondo sempre igual tudo legal mas quando voc� vai embora movo meu rosto no espelho minha alma chora vejo o rio de janeiro comovo n�o salvo n�o mudo meu sujo olho vermelho n�o fico calado n�o fico parado n�o fico quieto corro choro converso e tudo mais jogo num verso intitulado mal secreto (Waly Salom�o e Jards Macal�

9.5.05

Nota de falecimento domingo, oito do cinco de doismilecinco, faleceu �s doze horas, hor�rio de bras�lia, a abadessa do convento de beja, mariana alcoforado. causa mortis: fadiga muscular coronariana. morreu de tanto amar. depois de muito se debater e de nadar contra a marr� de si, a freira entregou-se aos misteriosos des�gnios divinos. dizem que no momento de expiar, aportava doces quimeras em l� maior. aguardamos sua pr�xima encaderna��o como dulce veiga. aquela que saiu pelo mundo � procura de outra coisa. mais al�m. oremos. am�m n�s todos.

8.5.05

� sempre bom lembrar

punk � atitude

filme � comportamento

as palavras-valises de lilica bicalho bom, a lilica bicalho � uma personagem que baixou em alice - aquela do base de palavra. n�o � culpa dela, cr�-se. apenas um grupo de espirituosos p�de ver, alardear e espalhar aos quatro cantos, o momento em que lilica surgiu. lilica � uma socialite da barra. est� na lista dos 50 mais elegantes do rio de janeiro. lilica - ou lica, para os �ntimos, surgiu proferindo sua mais famosa frase, quando perguntada acerca de dicas para o ver�o: passe em qualquer lugar, mas nunca passe sem r�mel. luxo s�. ou, na sua frase-valise mais conhecida e copiada: menos � mais. semana passada estava eu, lendo aquele livro sobre roteiro, teoria e pr�tica do roteiro, do syd field [que sempre me faz pensar que eu deveria deix�-lo de lado e ler algo do sid vicious ou do sid v�rte. esse livro tamb�m me lembra aquele roteirista-lair-ribeiro do filme adapta��o]. pois bem. eis que, entre uma linha e outra, me deparo com uma frase digna de lilica bicalho em seu momento mais intelectual: lembrem-se: filme � comportamento. precisa de mais? jamais. ciao.

madeleine, madeleine, uma ilus�o...

Nada Al�m Nada al�m Nada al�m de uma ilus�o Chega bem E � demais para o meu cora��o Acreditando em tudo que o amor Mentindo sempre diz E vou vivendo assim feliz Na ilus�o de ser feliz Se o amor S� nos causa sofrimento e dor � melhor Bem melhor a ilus�o do amor Eu n�o quero e n�o pe�o Para o meu cora��o Nada al�m de uma linda ilus�o (Cust�dio Mesquita e M�rio Lago) .......... mariana alcoforado neste momento se transforma em dulce veiga. em busca de outra coisa. mais al�m.

acho que esta imagem � at� batida, n�o sei. mas eu me sinto num colo de m�e quando olho para ela. acho que � isso. e feliz dia das m�es [dos p�es e dos sert�es] pra todo mundo.

Cuidado com a outra Vou abrir a porta Mais uma vez pode entrar � dia das m�es Eu resolvi lhe perdoar Deus me ensinou praticar o bem Deus me deu esta bondade Vou abrir a porta pra voc� entrar Mas n�o demore que a outra pode reclamar Eu vou abrir a porta Mais uma vez pode entrar � dia das m�es Eu resolvi lhe perdoar Deus me ensinou praticar o bem Deus me deu esta bondade Vou abrir a porta pra voc� entrar Mas n�o demore que a outra pode reclamar Eu vou abrir a porta Mais uma vez pode entrar � dia das m�es Eu resolvi lhe perdoar (Nelson Cavaquinho)

3.5.05

a coisa t� russa e moderna

Encanta��o pelo riso Ride, ridentes! Derride, derridentes! Risonhai aos risos, rimente risandai! Derride sorrimente! Risos sobrerrisos - risadas de sorrideiros risores! H�lares esrir, risos de sobrerrideiros riseiros! Sorrisonhos, risonhos, Sorride, ridiculai, risando, risantes, Hilariando, riando, Ride, ridentes! Derride, derridentes! (Vielimir Khl�bnikov) ............... Blusa f�tua Costurarei cal�as pretas com o veludo da minha garganta e uma blusa amarela com tr�s metros de poente. Pela Ni�vski do mundo, como crian�a grande, andarei, donjuan, com ar de d�ndi. Que a terra gema em sua mole indol�ncia: "N�o viole o verde das minhas primaveras!" Mostrando os dentes, rirei ao sol com insol�ncia: "No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!" N�o sei se � porque o c�u � azul celeste e a terra, amante, me estende as m�os ardentes que eu fa�o versos alegres como marionetes e afiados e precisos como o palitar dentes! F�meas, gamadas em minha carne, e esta garota que me olha com amor de g�mea, cubram-me de sorrisos, que eu, poeta, com flores as bordarei na blusa cor de gema! (Maiak�vski)
Zede, o gado V�nia gosdava de gandar, de deglamar boezia, de valar em b�bligo. Gueria zer abrezendadora de deleviz�o. Bas, bra zeu dezezbero, era vanha, buido vanha. D�o gonzeguia dizer, diante das bessoas, no drabalho, em caza, uba �diga vraze que voze gombledamente l�mbida, indelig�vel. Guiz o destino, infelizmende, gue ze gazaze com um zenhor aleb�o, Franz, gorredor da bolza de valores gue, al�m de velho, era buido, buido gago. Vanha e Gagago, azim eram gonhezidos, oz doiz, em doda a barde. Ad� gue gombraram um gado. Bazaram, ent�o, a zer jabados, zem gue zoubezem, de Vanha, Gagago e Zede. Zede vidas? D�o, d�o. Zede badas. O gado era um bijo basdande ex�digo, guase vand�stico, dinha, realbende, zede badas volheadas de ouro e um rabo buldigolorido. Gosdaba de gozinhar, lavar e bazar. Gobia bougo, d�o bebia, d�o vumava e guase d�o za�a � doide, al�m de vreg�endar bondualbende a miza, aos dobingos. Valava ingl�z vluendemende e era um vrango abreziador de �beras. Bor�m voi bosto no olho da rua borgue dinha o b�zimo �bido de roer as unhas, brinzibalmende as dos oudros. Ah! gue valda Zede nos vaz. Ningu�m brebarava um esbaguete gom bresundo e ervilha gomo ele. Dingu�m zabia zervir, belhor do gue ele, um bom vinho dindo. (Nelson de Oliveira, Treze)

BPP2

MISS VENEZUELA Seus l�bios recebendo o sebo De um org�o mal lavado Seus olhos lacrimejados Pelo mal-cheiro exalado Fizeram dessa donzela Uma cadela Suja, por�m bela Sem codinome ou quimera Que apenas usava uma faixa amarela Com os dizeres: MISS VENEZUELA (mariana & linus)
um poema de chagall s� � meu o pa�s que trago dentro da alma. entro nele sem passaporte como em minha casa. ele v� a minha tristeza e a minha solid�o. me acalanta. me cobre com uma pedra perfumada. dentro de mim florescem jardins. minhas flores s�o inventadas. as ruas me pertencem mas n�o h� casas nas ruas. as casas foram destru�das desde a minha inf�ncia. os seus habitantes vagueiam no espa�o � procura de um lar. instalam-se em minha alma. eis por que sorrio quando mal brilha o meu sol. ou choro como uma chuva leve na noite. houve tempo em que eu tinha duas cabe�as. houve tempo em que essas duas caras se cobriam de um orvalho amoroso. se fundiam como o perfume de uma rosa. hoje em dia me parece que at� quando recuo estou avan�ando para uma alta portada atr�s da qual se estendem altas muralhas onde dormem trov�es extintos e rel�mpagos partidos. s� � meu o mundo que trago dentro da alma. (trad. manuel bandeira)
Recado esquecido Eu pensava em Deus e Deus pensava em mim: "Ou�a Jarbas...", ele come�ava "Ou�a..." e nunca conclu�a o seu falar. Assustado, surpreso eu insistia: "O qu�, ent�o? O qu�?" e ele calava. Minha vida j� passou quase inteira, eu ainda penso em Deus e sei que ele pensa em mim. Pensa para sempre, mas do recado se esqueceu. (Jarbas Medeiros)
Para fazer um soneto Tome um pouco de azul, se a tarde � clara, E espere pelo instante ocasional. Nesse curto intervalo Deus prepara E lhe oferta a palavra inicial. A�, adote uma atitude avara: Se voc� preferir a cor local, N�o use mais que o sol de sua cara E um peda�o de fundo de quintal. Se n�o, procure a cinza e essa vagueza Das lembran�as de inf�ncia, e n�o se apresse, Antes, deixe lev�-lo a correnteza. Mas ao chegar ao ponto em que se tece Dentro da escurid�o a v� certeza, Ponha tudo de lado e ent�o comece. (Carlos Pena Filho)

piores poemas - 3� BPP

o primeiro pior poema grupal amar � mar a mar go � mar marvado � ins�nia sem l�xico t�o nosso ri mar chora mar! (Clara Nunes, Carlos Cacha�a, Aracy de Almeida, Adoniran Barbosa) ................. o mar de mar � oceano. o mar de beijo � desejo. o mar de flor � amor. o mar de amor (quando seca) � dor. o pior � quando esse maldito mar de amor cisma em quebrar suas ondas sobre mim
MANUAL DE CIVILIDADE DAS MENINAS (destinado �s escolas) no quarto se fores surpreendida em p�lo, deves mostrar pudor levando uma das m�os ao rosto e a outra � rata; em nenhum caso, por�m, far�s com a primeira um nariz de palmo e meio e te masturbar�s com a segunda. na confiss�o se o teu diretor espiritual tiver o h�bito de te foder, enrabar, ou vir-se na tua boca antes de te dar a absolvi��o (disto e do resto), aproveita para conserv�-lo como amante se o achares bonito. procura outro confessor, no entanto, pois aquele � insuficiente sob o ponto de vista can�nico. deveres para com deus as meninas demasiado vigiadas n�o devem comprar nossas senhoras de marfim polido para fazerem "consolos-de-vi�va". a igreja condena-o. para esse feito � todavia l�cito usar um c�rio n�o benzido. n�o digas... diz... n�o digas "a minha cona"; diz "o meu cora��o". n�o digas "tenho vontade de foder"; diz "estou nervosa". n�o digas "vim-me que foi uma loucura"; diz "sinto-me um pouco fatigada". n�o digas "vou masturbar-me"; diz "vou ali e j� volto j�". n�o digas "quando eu tiver pentelhos"; diz "quando eu for crescida". n�o digas "gosto mais de l�ngua do que de pixota"; diz "sou chegada a prazeres delicados". n�o digas "entre as refei��es s� bebo esperma"; diz "sigo um regime especial". n�o digas "os romances honestos me chateiam"; diz "quero qualquer coisa interessante para ler". n�o digas "deixa-se enrabar por todos os que lhe fazem mimete"; diz "� muito namoradeira". n�o digas "vi-a foder pelos dois buracos"; diz "� uma ecl�tica". n�o digas "tenho uma d�zia de consolos-de-vi�va na gaveta"; diz "nunca me aborre�o sozinha". (Pierre Lou�s)

2.5.05

leia, se puder. cavidades, ensaio de ana kiffer sobre antonin artaud.
(notas de georges bataille para l�grimas de eros)
Sidera��es Para as Estr�las de cristais gelados as �nsias e os desejos v�o subindo, galgando azuis e siderais noivados de nuvens brancas e amplid�o vestindo... Num cortejo de c�nticos alados os arcanjos, as c�taras ferindo, passam, das vestes nos trof�us prateados, as asas de ouro finamente abrindo... Dos et�reos tur�bulos de neve claro incenso aromal, l�mpido e leve, ondas nevoentas de Vis�es levanta... E as �nsias e os desejos infinitos v�o com os arcanjos formulando ritos da Eternidade que nos Astros canta... (Cruz e Souza, Broqu�is)