26.2.05

�stou muito feliz. queria mandar convites, mas, como sempre, mariana alcoforado n�o recebe cartas. a partir de segunda-feira, dia 24/02, at� 04/03, a exposi��o novos ilustradores, da faculdade de belas artes, na biblioteca central da ufmg, no campus pampulha. haver� exposi��o dos trabalhos dos alunos da belas artes. e o grupo poesia hoje foi convidado pra expor tamb�m. l� voc�s poder�o ver apontamentos de amor e solid�o, desta mariana alcoforado que vos escreve, al�m de outros belos trabalhos de todo mundo.

o papel dobrado. lan�amento em breve. n�oseionde.

21.2.05

continuando a brincadeira de donad�lia mariana come suspiros enquanto rabisca. a caneta manchando o papel fino. escreve. colocarei uma camisa de flores enquanto espero voc�. chamilly n�o entendeu o trocadilho.
mariana alcoforado todo dia ela chega em casa e olha a caixa de correio. sempre vazia. a caixa, claro. a irm� diz sempre que voc� chega voc� olha sua caixa de correio. e sempre est� vazia. mariana responde que � a sina. a m�e de mariana pergunta se n�o tem uma m�sica mais alegrinha. mariana diz que n�o tem jeito. dor-de-cotovelo. no m�ximo uma marchinha falando de amor. a m�e insiste. mariana coloca elis regina cantando triste � viver na solid�o. mariana coloca o amor no correio. a carta extravia. e o amor fica sem saber se � ou n�o �. mariana gosta muito de roubar frases de amor. talvez por isso as suas sempre cheguem ao destinat�rio errado. mariana conta que escreveu olho para voc�. voc� me pergunta o que � que h�, sempre um pouco vigilante, quando olho para voc�. digo que n�o h� nada, que olhava para voc� por prazer: - n�o sei se o amor � um sentimento. �s vezes acho que amar � ver. ver voc�. mas chamilly n�o manda sequer uma foto 3X4 na neve.
epifanias principalmente amor. uma viagem de amor. o amor como escrita. quantas vezes falamos sobre isso nessa viagem. v�rias vozes. o amor correspondido. o amor n�o correspondido. corespond�ncias. retic�ncias jogadas no ar. encontros. um desencontro. a chuva ca�a farta sobre a praia. j� n�o sabia mais dizer o que era c�u, chuva ou mar. eu encostava a cabe�a no vidro do �nibus e ia.
.as verdades sinceras que colhi vieram do seu rosto.
sem t�tulo um jeito de amor que n�o me lembro. 1) recordar um modo de escrever. 2) lavar os p�s do noivo. 3) bordar um len�o com iniciais e um verso.
neide dias de s�. denise stoklos. louise bourgeois. soto. farnese. t�pies. rebuli�os. v�mitos. voltei para ficar. outra vez.

12.2.05

tudo vibra de tanto significar (pauleminski)

vou l� ver a terceira margem do rio, como j� disse waly

POST ANACR�NICO (ou talvez nem tanto assim) Quando o carnaval chegar Quem me v� sempre parado, distante Garante que eu n�o sei sambar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar Eu t� s� vendo, sabendo, sentindo, escutando E n�o posso falar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar Eu vejo as pernas de lou�a da mo�a que passa e n�o posso pegar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar H� quanto tempo desejo seu beijo Molhado de maracuj� Tou me guardando pra quando o carnaval chegar E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando Que eu vou aturar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar E quem me v� apanhando da vida duvida que eu v� revidar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar (Chico Buarque)
o grupoesia hoje j� tem brog embora os textos ainda n�o estejam l� (ra ra ra)
Quem fode fode fode quem pode (Ad�lia Lopes)

10.2.05

eva coava o caf� que ad�o tomava. um dia ad�o n�o tomou e eva nunca mais coou. (marchinha de carnaval que minha av� cantava nos dela tempos de mocinha)
grupo poesia hoje na tv ufmg. segunda a sexta-feira, �s 20:45h e 23:15h. d� pra ver na internet tamb�m: www.ufmg.br/online. acho que � isso.
esque�am tudo o que disse sobre o poema processo. tudo deu mil voltas. t� me sentindo uma anta de collant. parece que t� falando portugu�s com um esquim�. aguardem novas not�cias. gracias.
Pierrot 2005 #1
voc� pescava meus olhos de peixes azuis. seq�estrava a �rbita. pedia minha vida em resgate. quebrava pedras com meus ossos. o vento a�oitava minha cabe�a arrancada.

3.2.05

PAU-BRASIL E POEMA PROCESSO: CONTINUA��O OU RUPTURA? A DUAS LINHAS DO IN�CIO O presente trabalho pretende apresentar uma poss�vel leitura a partir da aproxima��o da arte po�tica proposta por Oswald de Andrade, em Poesia Pau-Brasil, e o poema processo. PAU-BRASIL Oswald de Andrade � uma das duas faces do Modernismo brasileiro, ao lado de M�rio de Andrade, segundo Wilson Martins. Para este, Oswald � a face dispersa, que viveu "o esc�ndalo de escandalizar", uma esp�cie de "Cocteau gordo e plebeu do modernismo brasileiro" e sua vida, "uma angustiosa procura da obra-prima que se sabia incapaz de realizar". Contudo, com a publica��o, em 1925, do Poesia Pau-Brasil, Oswald apresenta possibilidades para uma genu�na poesia brasileira, dando seq��ncia � proposta do Manifesto da Poesia Pau-Brasil, publicado no jornal Correio da Manh�, no ano anterior. A dedicat�ria na edi��o original do livro denota a consci�ncia do poeta em rela��o a essa outra possibilidade: "A Blaise Cendrars por ocasi�o da descoberta do Brasil". A descoberta desse Brasil, propiciada pelas viagens realizadas com o escritor su��o e outros modernistas, "o Grupo dos Cinco", para o interior do Brasil, al�m da recep��o de valores est�ticos vanguardistas europeus, possibilitou a descoberta tamb�m de uma nova linguagem, onde a selvageria de um Brasil interiorano convivia de forma pac�fica com o in�cio do desenvolvimento industrial da capital paulistana. Haroldo de Campos, no pref�cio � edi��o de Pau-Brasil, define a po�tica oswaldiana como sendo da radicalidade, buscando o conceito em Karl Marx, para quem o radicalismo, a busca pela raiz, � a busca do pr�prio homem. E a busca de um novo homem, de um novo sistema de pensamento, � a procura de uma nova sintaxe � ao mesmo tempo em que n�o dissocia o fazer po�tico da "postura cr�tica, de tomada de consci�ncia e de objetiva��o da consci�ncia via e na linguagem", nas palavras de Campos. A primeira ruptura sint�tica empreendida por Pau-Brasil se refere � tradi��o ret�rica da poesia. O verso longo, encadeado, que se valia da adjetiva��o excessiva, d� lugar a uma po�tica mais substantiva, condensada, reduzida ao essencial do processo dos signos. O tom coloquial toma o lugar do verso pomposo, reconhecido pala institui��o liter�ria at� ent�o. Oswald de Andrade incorpora recursos do cinema e das artes pl�sticas � poesia, como a c�mera-olho, cortes r�pidos, flashes; a escrita ideogr�mica da cidade come�a a caber dentro do poema. H� o deslocamento da l�gica metaf�rica para novas rela��es de natureza meton�mica. A linguagem do ready-made. A palavra, deslocada de sua refer�ncia, colocada numa nova ordem. O livro aparece tamb�m como produto industrial seriado � e desaparece, concomitante a isso, a id�ia aur�tica da obra-de-arte. Surge uma nova linguagem para o poema e para o livro. A concep��o gr�fica do poema importa tanto quanto o projeto do livro, vide o projeto de Poesia Pau-Brasil, com capa de Tarsila do Amaral, e o Primeiro Caderno de Poesias do Aluno Oswald de Andrade, onde o tra�o pl�stico � t�o necess�rio ao poema quanto o desenho das palavras. Na po�tica oswaldiana nota-se ainda a eleva��o da imagem em detrimento da mensagem � o que pode ser apontado como conson�ncia n�o s� com a tradi��o de vanguarda, mas tamb�m com a vitoriana de livros ilustrados (Lewis Carroll e Edward Lear) e a de poetas-pintores (Blake, Chagall, Matisse, Maiak�vski entre outros). POEMA PROCESSO O poema processo, um movimento art�stico decorrente do concretismo, foi uma vanguarda que se inaugurou em 1967 com resson�ncia em v�rios pontos do Brasil. Desenvolvido no per�odo de 1967 a 1972, o poema processo tratou da explora��o planificada das possibilidades encerradas nas cadeias de signos, dando m�xima import�ncia � leitura do processo do poema, e n�o mais � leitura alfab�tica, verbal e de significantes. Propondo o combate � discursividade e � poesia tipogr�fica concretista, visa a poemas sem palavras ou, pelo menos, a poemas em que o signo verbal ocupe um lugar de import�ncia secund�ria para atingir, ent�o, uma linguagem universal de comunica��o. O n�cleo de cria��o do poema reside em seu processo; assim, a partir de uma matriz geradora de s�ries, o poeta prop�e o desencadeamento cr�tico de estruturas sempre novas, as vers�es do processo. Desse modo, essa vanguarda assume um compromisso consciente e objetivo contra a imobilidade das estruturas e pela inven��o de novos processos. Segundo Neide de S�, poeta co-fundadora do movimento, a correla��o do processo com o tempo n�o envolve a linearidade, mas uma din�mica do imprevisto. Sem come�o ou fim, o processo se envolve em diversas dire��es, passando de uma rela��o de condensa��o (relativa � l�gica metaf�rica) ao deslocamento (relativo � l�gica meton�mica), abrindo uma quantidade de encadeamentos que se realizam simultaneamente. O poema processo, segundo seus pr�prios realizadores, parte do cardinal, relativo � l�gica euclidiana de linguagem na qual se encontra a matriz ou fase did�tica, ao ordinal, o pr�prio processo, em uma nova no��o de espa�o-tempo. Pode-se ainda dizer que um poema processo parte de uma forma po�tica, digamos, mais tradicional, que ainda conta com a palavra e suas significa��es, para uma mais visual, passando pelo concretismo* at� chegar ao neoconcretismo**. � a partir da transforma��o, do movimento dos signos, da participa��o do consumidor/ fruidor que a estrutura (matriz) � levada � condi��o de processo. Dessa forma, o poema processo cria um consumidor/ participante/ criativo, que deixa de ser um espectador passivo, contemplativo, para tornar-se um explorador das possibilidades do processo. Segundo Wlademir Dias-Pino, um dos maiores nomes do movimento, o poema processo, ao dissociar a poesia (estrutura) do poema (processo), separa definitivamente o que � l�ngua e linguagem, dentro da literatura. Assim, consciente diante de novas linguagens, esse movimento, ao dar import�ncia m�xima � leitura do processo, atinge uma linguagem universal pelo sentido da funcionalidade de uma comunica��o internacional. Toda leitura passa a ser um happening. O POEMA PROCESSO E A ROSCA DO MODERNISMO Perguntados acerca da rela��o entre o Modernismo de Oswald de Andrade e o poema processo, �lvaro Dias de S� e Wlademir Dias-Pino, respectivamente, comentam: "N�o sei se � pretens�o, mas... Eu considero que o poema processo foi uma ruptura cultural de tal import�ncia que ele inaugura uma novidade em rela��o ao Modernismo, ele � uma nova coisa. Porque eu acho que a poesia concreta, essas coisas todas, 'fecharam a rosca do Modernismo', nas palavras do Wlademir. O Modernismo estava esgotado. O poema processo foi uma coisa muito nova e que trouxe uma ruptura ao discurso do Modernismo. (...) O poema processo como ele se insere na cultura brasileira, ele retoma o que houve de mais radical, do ponto de vista do comportamento, no Modernismo. N�s tivemos uma exposi��o, um debate, uma passeata. Os caras tiveram uma semana no Municipal, que era uma coisa comportadinha. Poxa, voc� v� que o Oswald sa�a de Cadillac. N�s fizemos a passeata. Ent�o, � muito isso de estar inserido na cultura brasileira. A gente ia a debates, em suma, nesse sentido de comportamento, de vida, de povo, continua uma coisa do Modernismo. Agora, eu acho que n�s somos o ponto de ruptura, o salto qualitativo em rela��o ao Modernismo." "A diferen�a pra mim, entre poema processo e Oswald, � que s�o duas �pocas sociais completamente diferentes no Brasil. Por exemplo, Oswald podia se dar ao luxo de acertar grande e de errar grandemente tamb�m. (...) Ent�o o poema processo n�o poderia cometer esse mesmo erro, n�o tinha tempo para cometer erros. Ent�o � a� que eu volto, pelo lado de consci�ncia de lideran�a do poema processo. O Oswald era um sujeito que desde a teoria dele de deglutir, tanto faz qualquer ato dele, s� ia aparecer o bom, o lado ruim n�o aparece nunca. Ao passo que o poema processo n�o poderia cometer nenhum tipo de erro, se cometesse um erro na situa��o pol�tica que estava, seria fatal para o movimento. (...) Ent�o, n�o tinha liga��o nenhuma." Neide Dias de S� aponta um outro ponto de aproxima��o entre Modernismo oswaldiano e poema processo, no sentido de produ��o de uma poesia de exporta��o: "O poema processo realmente inaugurou um tipo de poema brasileiro. N�s n�o t�nhamos influ�ncia de movimentos europeus nenhum, ao contr�rio: n�s mandamos pra fora, n�s n�o recebemos." Wlademir Dias-Pino concorda: "�. No sentido do Pau-Brasil, baseado numa revanche hist�rica. O Oswald era o homem da revanche e n�s, n�o. N�s �ramos da pr�tica hist�rica. N�s fizemos a exporta��o sem falar na exporta��o, mesmo porque o Oswald j� havia falado nisso.� V�CIO NA FALA No Brasil, todos os movimentos chamados vanguardistas pretendem encerrar as quest�es suscitadas pelo Modernismo e, com isso, experimentar novas possibilidades po�ticas, inaugurar uma outra tradi��o. Fechar a rosca. Poesia de exporta��o. O Brasil como fonte criadora. O concretismo toma para si o m�rito. O poema pr�xis tamb�m. Com o poema processo n�o seria diferente. O que se percebe nas vanguardas p�s-modernistas e o chamado primeiro Modernismo s�o conson�ncias em rela��o a um trabalho de experi�ncia radical com a linguagem � seguindo a trilha de Mallarm�, Baudelaire, Rimbaud, ..., at� chegar �s ditas vanguardas hist�ricas, na busca de uma outra sintaxe. Os padr�es que anteriormente eram estabelecidos pelas Escolas Liter�rias cedem lugar � contribui��o do artista para sua �poca - se n�o � Literatura, ao menos � Hist�ria dela. No caso espec�fico do Modernismo oswaldiano e poema processo, s�o observados, em ambos os movimentos, o fim da vis�o da obra-de-arte como objeto de devo��o est�tica; a preponder�ncia da imagem n�o s� como meio, mas como suporte imbu�do de significado; preocupa��o com a linguagem em detrimento da l�ngua: a busca de uma outra sintaxe; aproxima��o do ready-made oswaldiano com o happening do poema processo: este como acontecimento em si, o outro, como deslocamento da refer�ncia da palavra. Ou nos termos de S�rgio Ant�nio Lima, "tanto em um como no outro retomam o caminho da rela��o visual, como condi��o po�tica de percep��o e transforma��o da e na informa��o po�tica." Parece que a rosca ainda n�o foi devidamente fechada. Ainda que o poema processo deseje propor novos signos e um novo tipo de sintaxe, o movimento ainda se det�m sobre uma matriz sem�ntica, muito pr�xima aos poemas semi�ticos de D�cio Pignatari, Ronaldo Azeredo, ou � poesia combinat�ria de E.M. de Melo e Castro, por exemplo. Outras combina��es de uma l�gica meton�mica oswaldiana. Outras combina��es d'O Livro sonhado por Mallarm�. O poema processo acredita que n�o � um projeto est�tico, e sim �tico, esquecendo-se, contudo, que a recusa ao est�tico ainda � um projeto est�tico. A necessidade desta arte se ligar a quest�es �ticas fez com que o poema processo estivesse muito pr�ximo da po�tica de Oswald. A reeduca��o dos sentidos, j� proposta pelos Futuristas italianos. A viagem ao interior do Brasil feita pelos Modernistas pode se equiparar � busca de Wlademir Dias-Pino por novos eixos de di�logo, fora do Rio-S�o Paulo. Passeatas em Pirapora (MG), happening em Natal (RN), entre outros lugares do interior do pa�s � e tamb�m na Am�rica Latina, foram moldando o poema processo, assim como a descoberta Modernista do Brasil deu uma face genu�na � po�tica de Oswald, finalmente, talvez, apresentando uma poss�vel proposta para as discuss�es suscitadas sobre o instinto de nacionalidade na Literatura Brasileira. Notas * O concretismo tem como caracter�sticas b�sicas a aboli��o do verso; a organiza��o do poema segundo crit�rios gr�ficos que enfatizam a materialidade da palavra, seus valores pl�sticos e sonoros (verbivocovisual); a elimina��o ou rarefa��o dos la�os do discurso em prol de uma conex�o mais direta entre palavras e frases; e a integra��o das linguagens verbal e n�o-verbal, palavra e imagem. ** O neoconcretismo � uma vanguarda p�s-concretista inaugurada em fins da d�cada de 1950 por Ferreira Gullar a partir da necessidade de exprimir a complexa realidade do homem moderno dentro da linguagem estrutural da nova pl�stica. Nega a validez das atitudes cientificistas e positivistas em arte e rep�e o problema da express�o, incorporando novas dimens�es "verbais" criadas pela arte n�o-figurativa construtiva. ESTE TRABALHO CONTOU COM AS COLABORA��ES DE: ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. S�o Paulo: Globo, 2000. BRANCO, L�cia Castello; BOECHAT, Maria Cec�lia Bruzzi; NOVA, Vera Casa (Org.). Aletria: Revista de Estudos de Literatura. n.6. Belo Horizonte: FALE, 1998-1999. CAMPOS, Haroldo de. A Arte no Horizonte do Prov�vel. S�o Paulo: Perspectiva, 1997. DIAS-PINO, Wlademir. Processo: Linguagem e Comunica��o. Petr�polis: Vozes, 1971. GULLAR, Ferreira. Etapas da Arte Contempor�nea: do Cubismo ao Neoconcretismo. S�o Paulo: Nobel, 1985. MARTINS, Wilson. O Modernismo. S�o Paulo: Cultrix, 1967. MENDON�A, Ant�nio S�rgio Lima. A Poesia de Vanguarda no Brasil: de Oswald ao Concretismo e ao Poema Processo. Petr�polis: Vozes, 1970. SILVEIRA, Paulo. A P�gina Violada: da Ternura � Inj�ria na Constru��o do Livro de Artista. Porto Alegre: Editora da Universidade UFRGS, 2001. TELES, Gilberto Mendon�a. Vanguarda Europ�ia e Modernismo Brasileiro: Apresenta��o e Cr�tica dos Principais Manifestos Vanguardistas. Petr�polis: Vozes, 1972. entre tantos...

1.2.05

alone, skip hunt.

mais: 4X6

em breve nas livrarias o conto que caiu no conto do desconto, do mesmo autor de o conto que descontava
a senhora sem hora era uma vez uma senhora. quer dizer, n�o era uma vez porque se n�o h� hora n�o existe vez - e muito menos senhora.
Errei, Sim Errei, sim Manchei o teu nome Mas foste tu mesmo o culpado Deixavas-me em casa Me trocando pela orgia Faltando sempre Com a tua companhia Lembro-te agora Que n�o � s� casa e comida Que prende por toda vida O cora��o de uma mulher As j�ias que me davas N�o tinham nenhum valor Se o mais caro me negavas Que era todo o teu amor Mas se existe ainda Quem queira me condenar Que venha logo A primeira pedra me atirar (Ataulfo Alves)
�gua de col�nia um do quatro ela diz que volta em primeiro de abril e eu falo, mas meu amor a� tudo j� t� por um fio, nesse dia ningu�m faz fiu-fiu, namorada n�o volta stallone n�o cobra herchcovith n�o moda e voc� nem tchun, d� meia-volta, desliga e depois me convida praquela dan�a, praquela festa, uma seresta no meio da floresta, aquela coisa assim de andar equilibrando no meio-fio, cantar pelada na rua na chuva na cal�ada, e pede pra que eu n�o duvide, que eu espere com meu ramo de can�rios no canto do cen�rio, que se n�o for assim, n�o vai ter prosa, mas ent�o eu digo, vem que tem, meu amor, tem poesia, � das boas, pedi pro cara caprichar, j� t� encomendado, mas v� se volta r�pido sen�o vai ser tudo um fiasco, vou estrear como uma figurante de quinta categoria, murchando, quietinha, com o ramo de can�rios.
Tonho Leopardo e a Galinha de Pres�pio com ubirajara neiva Chuva s� molha chinela, Menina lambe sab�o. Cavalo coiceia o vento, Eu, meu guardachuvar�o. Fala pra eu repetir: Falo, faliu, faleceu. Nesta terra de garoa, Gar�, garota, gar�u. A cloaca da galinha Abre o oco molho pardo Na mistura lami�angue Na boca do leopardo. O corpinho da coitada Na bocarra do bich�o Pingo d��gua e saliva Se misturam ao trov�o. Tonho, dono da galinha, Enervado, proferiu: � V� pro raio que te parta, Leopardo, bicho vil! L� de cima o S�o Pedro Escutou fortilamento De Tonho, dono da tal, E exp�s seu sentimento: Em riste o dedo p�s E um raio se formou Reunindo a energia Que o c�u todo clareou. O bichano regateiro Mastigava com sabor A galinha cabidela No estrebucho do tremor. E o clar�o que se fez Z�S Num rompante se chocou raio-felino-galinha For�a tal que os separou. Na gram�nea ensopada (correnteza, �gua e sangue) Um cen�rio se formava: Nau-frangalinha no mangue. Esfrangalhada se viu Decidiu ent�o lutar. Reergueu seus gambitos E p�s-se ent�o a cantar: � Yes, baby, I will survive! Minhas entranha c� num morde! Vou mancando mundo afora, Vou ser gauche l� no norte! Pra n�o ficar na saudade, Tonho p�s olho na fera. Sorrateiro e ardiloso, N�o quis ousar uma espera. De sua velha espingardinha Disparou um tiramba�o. E o bichano atingido, Se entregou num modo lasso. E a chuva foi-se embora Como o fim de uma roconha. Dissipou-se o malef�cio E Tonho chamou a Tonha. Dividiram a saudade Da galinha presepeira E fartaram-se de carne, Culminando em bebedeira. Falo, faliu, faleceu. Nesta terra de garoa Bicho grande leva ferro E a galinha, numa boa.