29.7.04

bestage voc� tira essas suas palavras do fundo da gaveta. do dicion�rio demod� que voc� leu aos sete anos. as palavras que sua av� guardava a sete chaves no ba� da sala est�o dispostas em fileiras sobre a sua cama. e � por isso que voc� s�i andar com seu t�nis andrajoso. enquanto eu, modista de verbos, vou estar fazendo para voc� um vestido com a tradi��o moderna de ruptura, multicultural e transg�nico, com um olhar memorialista em desconstru��o.

24.7.04

quem precisa?   entrou um ladr�o aqui em casa, comigo aqui dentro sozinha. madrugada. roubou o dvd e deixou marcas de dedos na parede e de sapato, na parte de fora da parede do pr�dio. o cara subiu pela janela. terceiro andar. quem me avisou foi a l�ri, a gata-cachorro mais legal do mundo. vou � pol�cia, registro ocorr�ncia e eles dizem que "nem vale a pena mandar per�cia l� pra tirar a impress�o, j� que n�o tem suspeito". a� eu pergunto se tem como fazer uma ronda, sei l�, qualquer coisa, j� que eu vou ficar sozinha at� ter�a-feira. "ah... isso � s� com a pol�cia militar... mas s� se for um caso muito grave mesmo � que eles fazem isso..." t� eu aqui com meu cadeadinho na janela. e garrada no meu santantonim.

23.7.04

das graudezas   este ac(l)amado brog convida a todos para o lan�amento do livro das infimidades, de leonardo gon�alves, no dia 05 de agosto, quinta-feira, �s 19h, na Livraria Quixote. o livrim ficou lind�o demais, vi o "menino" pronto hoje. um chuchu. e como o leo � um poeta de clich�s, o livrim foi feito na tipografia. luxo s� esse mo�o...

- Voc� pode olhar em frente e dos lados, se quiser - disse a Ovelha - mas n�o pode olhar em volta de voc�... a n�o ser que voc� tenha olhos atr�s da cabe�a.

E j� que este blogue tamb�m se abriu para a poesia concreta que se faz hoje no pa�s, � bom lembrar que h� diferen�as marcantes entre o poema/processo e o concretismo em literatura. Nem sempre s�o diferen�as cordiais, mas, neste espa�o, as diferen�as s�o vistas de forma criativa e/ou produtiva. E n�s a apontamos com certa dose de humor. Mem�ria BALAIO PORRET@ 0072 Rio, 9 de janeiro de 2002 POEMA/PROCESSO [] POESIA CONCRETA Garrincha [] Pel� Hermeto Paschoal [] Jo�o Gilberto Glauber Rocha [] Walter Hugo Khouri Natal / Rio / Olinda [] SP / Bras�lia / BH Rio Potengi [] Rio Tiet� Leila Diniz [] Martha Rocha Mangueira [] X-9 Fla x Flu [] Santos x Cor�nthians Jesu�no Brilhante [] Lampi�o Greg�rio de Matos [] Castro Alves Z� Limeira [] Leandro Gomes de Barros Malhada Vermelha [] Velho Barreiro Carne de sol [] Pizza Sucos do norte [] Milk-shake Caldo de cana [] Coca-cola Rapadura [] Ado�ante Aurora [] Crep�sculo C�mara Cascudo [] Gilberto Freyre P�s-tudo [] Ex-tudos Signagem [] Linguagem Processo/Significa��o [] Estrutura/Conte�do Poema: matriz e projeto [] Poesia: forma e fun��o (usurpado do brog do moacy cirne, poema/processo)

e este rel�gio, de que padece? 17:30 ele marca agora. tudo mentira, eu bem sei. acordo no meio da noite com frio e um maluco gritando pela rua afora: "moradores do santo ant�nio: muito cuidado!... moradores do s�o pedro: muito cuidado!...". devia ter colocado a cabe�a pra fora da janela e gritado: "homem que grita 'cuidado!', tenha muito cuidado!, que �gua e balde podem deixar seu passeio mais gelado!". fico pensando que jamais vi algu�m gritando rua adentro. um disparate. esque�o. penso durante algum tempo que gosto muito da palavra disparate. esque�o. fa�o um ch� e sento-me, com muito cuidado, para conversar com a Rainha Branca. "seu xale est� de mau-humor", eu balbucio, tentando ser agrad�vel. mas ela n�o me d� ouvidos. nem quando digo que "�s vezes me acontecia acreditar em seis coisas imposs�veis antes do caf� da manh�, pelo menos". "nem pelo menos, nem pelo mais", ela quase n�o responde, dando de ombros. sorrio. a Rainha Branca parte para longe, correndo atr�s do seu xale. mas n�o sem antes recolher a cobra empalhada que me olha em seus olhos. 

21.7.04

fala, patr�o!   d�em uma olhada no v�deo "quedas de silvio santos"...   cantando e rodando... ritmo... � ritmo de festa...

como estou? vou bem obrigada. feliz? sim, muito. vivendo a p�o e �gua de col�nia.

20.7.04

um rapaz da moda eu vou ser pra ver se ela gosta de mim   ...   i�-i�-i� vou cantar i�-i�-i� vou dan�ar   e ela ent�o vai dizer que eu sou tremend�o...

E CONTINUAM AS AVENTURAS MARAVILHOSAS DE MARIANA E CHAMILLY NO PA�S DOS AMORES...   New York, New York  Tr�s graus � sombra. Vinte e oito debaixo do cobertor. Mariana e Chamilly est�o em Nova Iorque. Vivem num daqueles apartamentos de tijolos escuros � mostra com uma escada de inc�ndio externa. N�o ouvem Frank Sinatra. N�o andam pela Quinta Avenida. Comem torradas, ovos mexidos e bolo ingl�s com gel�ia Queensberry, pela manh�, enquanto Billie Holiday canta Lover, come back to me. Eles n�o sabem se � assim que se vive em Nova Iorque em tempos de nevasca. Pode ser que n�o. Provavelmente os nova-iorquinos colocam toucas coloridas na cabe�a e saem para a rua, pelados, para dan�ar fado. Mas isso n�o importa. Os telefones tocam e eles n�o atendem. N�o neva no cora��o de Mariana e Chamilly.

18.7.04

Fotografia fluvial & �gua de col�nia   Para meu punctum  Atr�s do seu olhar paira um rio antigo. Captado por um fot�grafo amador. In�cio do s�culo dezenove, veja bem. Um misto de brandura, aconchego e do�ura. Aquele amarelo da fotografia feito aquela lua que voc� gosta tanto. � noite, esqueci de dizer. E como est� muito frio, h� n�voas sobre a �gua. Isso me causa calafrios, desejos e tontura. Vertiginosamente, e voc� gosta tanto dessa palavra, escorrego para dentro dos seus suspiros. Voc� me corrige. Isso n�o � literatura, � �gua de col�nia, meu bem. Que me importa?  No meio do lago, h� um amor tranq�ilo. O mais querido. Decoro a p�gina com palavras cheias de a��car. P�o de mel, Debussy, Ravel. Quiche, bolo de cenoura � da ordem do bonitinho os meus clich�s? Fa�o uma gra�a com bergamota, Bergman e Piazzola. Tudo isso que voc� gosta.  Mas n�o � literatura o que eu fa�o aqui. � mais um vidro daquela �gua de col�nia que invento toda noite, s� para voc�, Teodora.

cora��o ligado, beat acelerado   muito bom esse deja-v� do metr�...

10.7.04

Palavras, palavras

(vers�o de Parole, parole, por maysa matarazzo - que arrazzo! cantam maysa e raul, o cortez) [ele:] meu bem, o que que h� comigo essa noite? eu te vejo e sinto como se fosse a nossa primeira vez... lembra... [ela:] o que � que h�, o que � que h�, o que � que h�?... [ele:] �... eu preciso te falar... [ela:] mas o que � que h�?... [ele:] pra mim voc� � uma frase de amor come�ada. [ela:] n�o vai mudar... � sempre assim e eu j� cansei... [ele:] pra mim voc� � tudo... � vida... [ela:] � sempre igual... [ele:] a eterna inquieta��o... [ela:] ent�o, v� l�... fala de vez... desta sua inquieta��o... que amola��o!... [ele:] voc� � o vento que traz violinos... rosas... [ela:] cafonices, n�o ag�ento mais... [ele:] espera meu bem, ainda n�o disse tudo... [ela:] de rosas, violinos... esta noite n�o fale comigo, que essas coisas se sente na alma... quando elas trazem o amor de verdade, n�o quando mentem, isto tens que sentir... [ele:] uma palavra ainda... [ela:] palavras, palavras, palavras... [ele:] me escuta... [ela:] palavras, palavras, palavras... [ele:] eu te imploro... [ela:] palavras, palavras, palavras... [ele:] eu te juro... [ela:] palavras, palavras, palavras... palavras... palavras, somente palavras existem entre n�s... [ele:] eis o meu destino: falar... falar como a primeira vez... [ela:] o que que h�, me deixa em paz, me deixa em paz... [ele:] n�o, n�o, n�o... n�o diga nada... voc� tem toda raz�o... [ela:] diz de uma vez, que � que h�?... [ele:] mas por favor, acredite em mim. [ela:] n�o vai mudar, � sempre assim, eu j� cansei... [ele:] voc� � o meu hoje... meu ontem... [ela:] sempre igual, sempre igual... [ele:] ... o meu eterno amanh�. [ela:] o que fazer pra te provar? o jogo deve terminar, tem que acabar... [ele:] nos teus olhos a lua se apaga e se acendem as estrelas... [ela:] ai... cafonices, eu n�o ag�ento mais... [ele:] ah, se voc� n�o existisse teria que ser inventada... [ela:] ... lua, estrelas... me entristecem, perturbam nas noites em que eu quero dormir e sonhar com um homem que � porque �. que fale menos... e que me ame mais... [ele:] uma palavra, meu bem... [ela:] palavras, palavras, palavras... [ele:] escuta! [ela:] palavras, palavras, palavras... [ele:] espera a�!... [ela:] palavras, palavras, palavras... [ele:] eu te imploro!... [ela:] palavras, palavras, palavras... palavras... palavras, somente palavras que h� entre n�s... [ele:] meu bem, eu te juro... [ela:] palavras, palavras, palavras...

7.7.04

lan�amento estilingue#3

s�bado, dia 10/07, �s 10h na livraria ouvidor. r. fernandes tourinho, 256 - savassi.

apare�am! ou visitem a gente por aqui mesmo...

3.7.04

me sinto feliz. posso dizer completamente feliz.

� pra l� que meu amiguinho vai...

2.7.04

vejo uma estrela cadente e pe�o para que ela caia novamente

p�o de mel voceu o c�u