30.5.04

se voc� n�o me olhar como � que eu vou me ver?

28.5.04

LIMINHA, A ESCRAVA QUE VIROU ESTRELA Te amo agora �s Estrelim! N�o Limim! E h� quem mais ame a tal ponto? Se amo, � por ti que ando morto. Se eu pudesse punha um ponto e N�o rimava a can��ozim. Adoidado! Alocado! Tan tristino! Tan penado! V�s o dia que alongado? Dele provo s� um pouquim. Disse: - �Juro por Deus Grande! Tem algu�m que ainda ag�ente? Se eu falei Mesquita ontem por que esperas no Moim?� �s o encanto em toda festa linda, e antes disso, esperta. Falta um p�? Quanta moeda vira j�ia ao teu pezim! Quem te ama se apaixona. Re�nes a Babil�nia. Maravilhas v�m � tona s� com uma palavrim. Como ma��zim os peitos, as bochechas, dois confeitos, dentes, p�rolas, perfeitos, e de a��car a boquim. Se dissesses algum dia �Sem jejum! Vamos � vida!�, nesse dia at� a Mesquita se trancava com cordim. Doce mais que o alfenim, eu escravo, tu raim. Em quem diz: �n�o � assim� um cascudo e um tapim. At� quando assim me tratas, me desdenhas e me escapas? Em casa largada �s tra�as, Fa�a Deus de ti e de mim, um feixim! (O cancioneiro de Ibn Quzman, zejel n.10, trad. Michel Sleiman)

27.5.04

quem tiver sapato n�o sobra
... acredita no destino? disse assim, olhando de soslaio, e levantou v�
FOC AL C�NTIR, Joan Brossa
tenho fome de me tornar em tudo o que n�o sou tenho fome de fiction ficciones fiction�rios

26.5.04

se um dia eu crescesse bem depressa te levaria a reconstruir um rio um peda�o de �gua lavrado em seus olhos um amor cavado desmembrado entre as terras duras de uma montanha em perigo (para a mo�a de cabelo de fogo)

23.5.04

... despia-se � toa escondida no canto dos quartos � espera de um observador

22.5.04

uma trag�dia em tr�s atos uma com�dia rom�ntica um baile de debutantes uma neopornochanchada contempor�nea uma vis�o de mundo 9 de junho um curta-metragem uma palavra da salva��o um grupo poesia hoje um ato onanista uma putaria aleg�rica um transe dial�tico uma reuni�o de senhoras um deus lhe pague um traga sua vasilha sua sacola sua filha um atentado pol�tico SEVFALE uma tese acad�mica uma escritora angolana quem tiver sapato n�o sobra um drama um d�zimo uma par�bola 19 horas a alucina��o penetra no reino da percep��o uma sonata Hamlet em quinze segundos um hai-kai audit�rio 1007 os conformados que se danem uma exorciza��o ao vivo um c�ntico uma teoria blanchotiana um v�deo pirata um ato felat�rio uma conspira��o cinem�tica um blefe um cuidado voc� est� sendo filmado jodido en las calles de latinoamerica...

20.5.04

silenzio no hay banda

19.5.04

Carta an�nima Para ler ao som de Melodia Sentimental, de Villa-Lobos, cantada por Ol�via Byngton Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em voc�. Mais de tardezinha que de manh�, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos, e com mais for�a enquanto a noite avan�a. N�o s�o pensamentos escuros, embora noturnos. T�o transparentes que at� parecem de vidro, vidro t�o fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de voc�. Se n�o dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os len��is. Brilham, na palma da minha m�o. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde tamb�m tem uma ilha. N�o, n�o: acho que a ilha mora num caquinho s� dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas s�o sempre bonitas. Parecem filme, livro, quadro. N�o doem porque n�o amea�am. Nada que eu penso de voc� amea�a. Durmo cedo, nunca quebra. Da� penso coisas bobas quando, sentado na janela do �nibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabe�a na vidra�a e penso demais em voc�. Quando n�o encontro lugar para sentar, o que � mais freq�ente, e me deixava irritado, agora n�o, descobri um jeito engra�ado de, mesmo assim, continuar pensando em voc�. Me seguro naquela barra de ferro, olho atrav�s das janelas que, nessa posi��o, s� deixam ver metade do corpo das pessoas pelas cal�adas, e procuro nos p�s delas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus p�s, lembro). E fico t�o abalado que chego a me curvar, certo que s�o mesmo os seus p�s parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo voc� - seria, seriam? Boas e bobas, s�o as coisas todas que penso quando penso em voc�. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com voc� que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crian�as pregam uma nas outras. Finjo que me assusto, voc� me abra�a e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortel� ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em voc� e o telefone toca e corta meu pensamento e do outro lado do fio voc� me diz: estou pensando tanto em voc�. Digo eu tamb�m, mas n�o sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito poder de parecer rid�culos melosos piegas bregas rom�nticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso tamb�m que somos mesmo meio tudo isso, n�o tem jeito, e tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, � fr�gil como a voz de Bianca Byngton cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagall que Van Gogh, mais Jarmush que Wim Wenders, mais Cec�lia Meireles que N�lson Rodrigues. Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em voc�. Brotam espa�os azuis quando penso. No meu pensamento, voc� nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodram�tico, e penso ent�o tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabe�a no seu colo ou voc� deita a cabe�a no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulc�es explodem e pestes se alastram e n�s nem percebemos, no umbigo do universo. Voc� toca na minha m�o, eu toco na sua. Demora tanto que s� depois de passarem tr�s mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e � ent�o feito mergulhar numas �guas verdes t�o cristalinas que t�m algas na superf�cie ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro p�rolas. Sei que � meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em p� no �nibus solto um pouco as m�os daquela barra de ferro para meu corpo balan�ar como se tivesse � bordo de um navio ou de voc�. Fecho os olhos, faz tanto bem, voc� n�o sabe. Suspiro tanto quando penso em voc�, chorar s� choro �s vezes, e � t�o freq�ente. Caminho mais devagar, certo que na pr�xima esquina, quem sabe. N�o tenho tido muito tempo ultimamente mas penso tanto em voc� que na hora de dormir vezenquando at� sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no l�bulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espa�os azuis, p�rolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo. (Caio Fernando Abreu)

julieta entre meu ser e o ser alheio a linha de fronteira

se romeu

roubei da miss understood

16.5.04

Poesia Tamb�m n�o gosto. Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a gente acaba descobrindo nela, afinal de contas, um lugar para o genu�no. (Marianne Moore, Poemas escolhidos)
poema visual de fernando aguiar
patota de ipanema n�o tenho ido ao cinema e a patota de ipanema n�o me interessa mais podem dizer que eu j� era que eu s� digo ai quem me dera uma vida em paz mas sem aquela rua t�o sentimental com aquela lua de cart�o postal nem o maridinho de fam�lia bem todo arrumadinho, que nobreza, mas tamb�m... e os caras que andam por a� com aquele papo mixo de "sem essa bicho,deixa isso pra l�" e um tipo de paquera t�o sincera que eu vou te contar cansei de ir ao zeppelin de dizer sim aos inventores geniais da comunica��o enfim, estou achando que a realidade sabe mais que a imagina��o (toquinho/ vinicius)
redemoinho de ilus�o em ilus�o

14.5.04

entre meu ser e o ser alheio a linha de fronteira se rompeu
homero em hollywood?!... e viva a cultura de massa! pegando carona: maur�cio de souza no pal�cio das artes?! lembrei na hora do wlademir dias-pino: "a gente batalhou tanto por um quadrinho brasileiro e olha o que a gente consegue: maur�cio de souza, cara!"
o 1� amor passou. o 2� amor passou. o 3� amor passou. agora o cora��o parou. (waly salom�o)
da s�rie: atr�s dos olhos das meninas s�rias I. passando roupa �s seis da manh�: imaginar a cara do dono do telefone 3-4-4-3-3-3.

12.5.04

Sinto muito. Ouvindo as m�sicas daquele show, procurando nas datas escondidas, correndo atr�s das horas, vasculhando dentro dos bolsos, das gavetas, raspando antigos manuscritos. Nenhum cheiro, nenhum resqu�cio, nenhum vest�gio. Rascunho, papel rasgado, migalhas despejadas, nada. Nem uma ponta amassada, um fragmento de coisa queimada, um peda�o de conversa ouvida atr�s da porta. Nada. Nada.

11.5.04

e o dia escorria pelas pontas dos seus cabelos de brasa se espalhando pela minha cabe�a no fim no in�cio do outro dia quis tanto um dia assim um dia uma tarde �mpar um dia como aquele que n�o teve que murchou pela primeira vez e n�o ningu�m vai nunca imaginar o que foi aquele dia s� a cara da amiga a m�e brava a cara de m�e brava que passa um pito os olhos fixos tristes amea�adores nos seus olhos e eu vi vi que aquilo n�o se faz que n�o se passam longas tardes de calor fugindo com a cabe�a de fogo incendiada que volta pousada em meus seus olhos cor de cor que nem sei o nome cor de quando olho vejo nem sei que cor me vejo nos seus olhos fugitivos olhos profundos que dan�am que enla�am que soltam lan�as de fogo sobre a minha cabe�a sobre tudo que vejo paira uma luz de lua mas n�o tem lua e voc� � a lua cor de lua que me foge cor de lua crescente cor de quarto minguante seus olhos amanhecidos noturnos seus olhos que me correm ao longe a cabe�a l�nguida que paira sobre o pesco�o de gelo a boca sente o cheiro a boca percorre sem jeito sem maneira de n�o percorrer a pele a boca o pesco�o meus pulsos meus violinos seu ramo de espinhos de n�o minha boca em seu sorriso de n�o que se deixa virar a cabe�a se derrama quando deixa o n�o a pele de boca de marfim t�o sem finito as suas m�os seu corpo que n�o se entrega que n�o tem maneira nem modo forma alguma nenhuma possibilidade meia ou inteira qualquer de que se possa de que se queira que rejeita recusa despede refuta declina a m�nima inclina��o de chegar aos seus ouvidos as palavras vazias as palavras nuas o verso o verbo que n�o se diz a palavra que n�o se diz a palavra

6.5.04

.ana sueca parece liv ullman. .se liv ullman fosse sueca.
solid�o que poeira leve solid�o olhe a casa � sua

5.5.04


.ana sueca parece ingrid bergman.
.se ana sueca fosse sueca.

4.5.04

.ana sueca parece paula von. se paula von fosse sueca.