tr�s de amor
I.
e porque a seda
do seu papel jornal
n�o me era cara
n�o matava minha sede
n�o dava em nada
borrei algumas
letras
estampei algumas
lendas
naquela camisa velha
de que voc� nem mais
se lembra
que rasguei naquele dia
por pura
covardia
II.
agrupo
palavras
esque�o
soletro
cada letra do verso
beijo o teto
a sola do seu sapato
leio
o t�mido verso antigo
e lembro
ser menos que um alento
puro contratempo
talvez
ver a si
me vendo
nessa mancha no retrato
III.
Carta solit�ria do sul da am�rica
(longe da china desejada)
Porque eu disse: vou te ver. Nem que seja no fim dos tempos. Ou naquele supermercado em Pequim. Voc� riu naquele dia e eu j� via seu rosto entre vermelhos e amarelos. Uma �nica certeza gritava: vou te ver no fim dos tempos.
Sentei e a dan�a era outra. Dei uma de simp�tica, comentei sobre o onze de setembro. �No Chile?�, e a sala dava voltas. Gritos profundos emergiram das cicatrizes. Num estrondo, ratos invadiram a sala. Fugitivos se afogavam sob o queixo da chilena. Coloquei alguns can�rios na eletrola. Ningu�m dan�ou. �Em tempos como este ningu�m vai rir�, disseram.
Ainda tentei a contradan�a. Uma volta na esquina enquanto a vida rodava no olho. Dei de ombros, fugindo de meus passos. Desenhei um vulto: entrecortado de suspiros. N�o foi nele que te vi. Sa� correndo � procura. �N�s, os exilados da cheia!�, descobri no ch�o. A cidade devorava
corpos degustando o tempo. Borrada de batom, uma flor ca�a na esquina. Olhei o rosto: vermelho pisado. Esquivou-se: �Procura vida? Vida s� at� ali: ali, na pr�xima esquina�.
Procurei banco, bati p�: fico aqui. Enxotei mendigos, gritei com crian�as. Um trator rosnou. Amordacei todo barulho e qualquer presen�a. Ali sozinha, nem �rvore me acompanhava. Falei bem baixo: �Esta solid�o, nem voc�, nem voc� vai tir�-la de mim�.
13.4.04
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