13.4.04

tr�s de amor I. e porque a seda do seu papel jornal n�o me era cara n�o matava minha sede n�o dava em nada borrei algumas letras estampei algumas lendas naquela camisa velha de que voc� nem mais se lembra que rasguei naquele dia por pura covardia II. agrupo palavras esque�o soletro cada letra do verso beijo o teto a sola do seu sapato leio o t�mido verso antigo e lembro ser menos que um alento puro contratempo talvez ver a si me vendo nessa mancha no retrato III. Carta solit�ria do sul da am�rica (longe da china desejada) Porque eu disse: vou te ver. Nem que seja no fim dos tempos. Ou naquele supermercado em Pequim. Voc� riu naquele dia e eu j� via seu rosto entre vermelhos e amarelos. Uma �nica certeza gritava: vou te ver no fim dos tempos. Sentei e a dan�a era outra. Dei uma de simp�tica, comentei sobre o onze de setembro. �No Chile?�, e a sala dava voltas. Gritos profundos emergiram das cicatrizes. Num estrondo, ratos invadiram a sala. Fugitivos se afogavam sob o queixo da chilena. Coloquei alguns can�rios na eletrola. Ningu�m dan�ou. �Em tempos como este ningu�m vai rir�, disseram. Ainda tentei a contradan�a. Uma volta na esquina enquanto a vida rodava no olho. Dei de ombros, fugindo de meus passos. Desenhei um vulto: entrecortado de suspiros. N�o foi nele que te vi. Sa� correndo � procura. �N�s, os exilados da cheia!�, descobri no ch�o. A cidade devorava corpos degustando o tempo. Borrada de batom, uma flor ca�a na esquina. Olhei o rosto: vermelho pisado. Esquivou-se: �Procura vida? Vida s� at� ali: ali, na pr�xima esquina�. Procurei banco, bati p�: fico aqui. Enxotei mendigos, gritei com crian�as. Um trator rosnou. Amordacei todo barulho e qualquer presen�a. Ali sozinha, nem �rvore me acompanhava. Falei bem baixo: �Esta solid�o, nem voc�, nem voc� vai tir�-la de mim�.