30.4.04

minha gata. desbravadora de pequenos mundos. do jardim, inventa uma floresta amaz�nica. descobre esp�cimes fossilizadas. reaviva cheiros esquecidos. os ger�nios do parapeito da minha casa. as borboletas das hist�rias da inf�ncia. .................. minhas hist�rias de inf�ncia era uma vez uma menina. ela foi passear na casa da av� dela. encontrou a borboleta e conversou com ela. depois ela foi pra festa junina. (27/06/84) .............. um dia a menina estava passeando no escrit�rio do pai dela. depois ela foi ver as borboletas que voavam. ela achou estranho que a borboletinha estava indo atr�s da outra. depois ela voltou para o escrit�rio. seu pai falou que iam embora, mas ela ia olhando as borboletas. quando ela foi dormir, ela sonhou e quando acordou, viu que seu cachorro dormia com ela. (25/02/85)

num belo dia a menina e sua m�e foram � praia. - mam�e, posso ir ao mar com a minha prancha? - pode, minha filha. mas cuidado com as ondas, os tubar�es, o avi�o e com as borboletas. - eu tomo cuidado, mam�e! (21/08/85) .............. era uma vez uma nave que soltou um mo�o. ele viu uma borboleta. depois ele foi correndo para a sua casa. quando chegou, ele foi para o quintal brincar com sua plantinha. (29/11/85)

29.4.04

gostei disso 1. Pegue o livro mais pr�ximo de voc�; 2. Abra o livro na p�gina 23; 3. Ache a quinta frase; 4. Poste o texto em seu blog junto com estas instru��es. mais um oferecimento do sr. walrus, o �nico com cora��ozinho na barriga... ............................... "Um encontro entre o Isl�o e o Cristianismo, que tem, ademais, o marco-hist�rico da Espanha, j� que na Espanha se elaboraram as tradu��es que fizeram poss�vel �sse encontro entre o Isl�o e o Cristianismo na Europa, como digo, n�o como inimigos, por�m, como amigos." ................................ desculpem-me, mas o livro mais pr�ximo que eu tinha aqui era "o isl�o".... al�m do livro n�o liter�rio, devo dizer que o estilo desse autor n�o colabora muito com o prazer da leitura... (ser� que realmente eu precisava dizer?!)... mas eu n�o poderia deixar de seguir a regra da brincadeira, uma vez que sou uma aut�ntica virginiana... grata pela tens�o dispersada.

28.4.04

foi deus que te fez formosa, formosa, formosa, por�m, este mundo te tornou presun�osa, presun�osa...

27.4.04

26.4.04

meu cora��o � uma m�quina de escrever � s� voc� bater para entrar na minha hist�ria
Esquece essa vida, Emengarda. Ainda h� muito que se fazer. Nesta rua escura. Nesta tarde longa onde nem me arrisco a contar seus passos. Olha o vento l� de longe batendo nos meus cabelos aflitos. Desvia o olhar. Porque, voc� sabe, tenho olhos grandes. N�o me fita, Emengarda. N�o me fita. Que eu sou mo�a s�ria, n�o enrolo, n�o fa�o fita. V� se inventa um outro nome. Outra casa. Tr�s ou quatro filhos. E me desculpe por aquele lance. Foi o �ltimo passo antes do abismo.

22.4.04

Do concretismo ao poema processo A d�cada de 50 foi marcada, no �mbito social, pol�tico e econ�mico, por uma s�rie complexa de transforma��es que insinuavam o perfil de uma �nova modernidade�, que fornecia um ambiente estimulante para o desenvolvimento de sugest�es renovadoras nas artes. Por volta da metade inicial dessa d�cada, apareceram as primeiras manifesta��es do que viria a ser a arte concreta no Brasil. De um lado, o grupo paulista Noigandres, com D�cio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, e, de outro, o grupo Ruptura, formado pelos pintores e escultores Geraldo Barros, Waldemar Cordeiro, Lothar Charoux, Kazmer Fejer, Haar, Sacilotto e Wladyslaw. As posi��es defendidas por esses artistas coincidiam com muitas das formula��es dos poetas de Noigandres. Em nome de uma intui��o art�stica dotada de princ�pios claros e de grandes possibilidades de desenvolvimento pr�tico, o ideal pl�stico do grupo Ruptura privilegiava a organiza��o das formas e das cores, desvinculada de conte�dos extrapict�ricos. Desse mesmo modo, a poesia concreta se afastava de suportes sem�nticos e sint�ticos, assentando-se numa organiza��o geom�trico-estrutural do espa�o. Influenciados pela experi�ncia construtivista, que tinha como par�metros o neoplasticismo de Mondrian e Vatergerloo, o suprematismo de Mal�vitch e as concep��es est�ticas de Theo Van Doesburg, as propostas de Max Bill e seus companheiros da Escola de Ulm, os artistas do grupo Ruptura atuaram ao lado dos poetas concretos na pesquisa de novas linguagens e formas de express�o. Com o grupo Noigandres, emergiria, entre 1953 e 1956, o movimento da poesia concreta. Tomaram parte, no movimento, poetas de S�o Paulo e do Rio de Janeiro, al�m do poeta maranhense Ferreira Gullar e do poeta mato-grossense Wlademir Dias-Pino. A poesia concreta � a denomina��o de uma pr�tica po�tica, formulada por te�ricos brasileiros e su��os, que tem como caracter�sticas b�sicas a aboli��o do verso; a organiza��o do poema segundo crit�rios gr�ficos que enfatizam a materialidade da palavra, seus valores pl�sticos e sonoros (verbivocovisual); a elimina��o ou rarefa��o dos la�os do discurso em prol de uma conex�o mais direta entre palavras ou frases; e a integra��o das linguagens verbal e n�o-verbal, palavra e imagem. Tal pr�tica concentra e radicaliza propostas anteriores que percorreram os movimentos de vanguarda do in�cio do s�culo, como futurismo e dada�smo, retomados no in�cio dos anos 50, com o rigor construtivista. Tem como grande antecessor o poema espacial de Mallarm�, Un coup de d�s, al�m de Ezra Pound que, com a utiliza��o do m�todo ideogr�mico em seus Cantos, rompe com a l�gica anal�tico-discursiva ocidental, e ainda James Joyce, com Finnegans wake, uma obra inesgot�vel, poliss�mica e polim�rfica. Esse movimento apresenta algumas correntes: o concretismo paulista do grupo Noigandres, que estrutura o espa�o pelo arranjo geom�trico da composi��o verbal; Wlademir Dias-Pino, utilizando um espa�o funcionalizado como refer�ncia f�sica para a substitui��o da palavra por signos visuais; e Ferreira Gullar, com o espa�o como dado emp�rico e simb�lico. Em fins da d�cada de 50, Ferreira Gullar rompia com o concretismo, inaugurando o neoconcretismo. O neoconcretismo indicou uma tomada de posi��o em rela��o � arte n�o-figurativa �geom�trica� (neoplasticismo, construtivismo, suprematismo, escola de Ulm) e, particularmente, em face da arte concreta levada a uma perigosa exacerba��o racionalista. No campo da pintura, escultura, gravura e literatura, os artistas neoconcretos encontram-se na conting�ncia de rever as posi��es te�ricas adotadas at� ent�o pela arte concreta. O neoconcretismo, nascido de uma necessidade de exprimir a complexa realidade do homem moderno dentro da linguagem estrutural da nova pl�stica, nega a validez das atitudes cientificistas e positivistas em arte e rep�e o problema da express�o, incorporando as novas dimens�es �verbais� criadas pela arte n�o-figurativa construtiva. Abrindo um novo campo para as experi�ncias expressivas, o neoconcretismo recupera a linguagem como fluxo, na tentativa de superar suas conting�ncias sint�ticas e reafirmar a independ�ncia da cria��o art�stica em rela��o ao conhecimento pr�tico (moral, pol�tica, ind�stria, etc). Tamb�m decorrente do concretismo, o poema processo foi uma vanguarda que se inaugurou em 1967, com resson�ncia em diversos pontos do Brasil. Desenvolvido no per�odo de 1967 a 1972, o poema processo tratou da explora��o planificada das possibilidades encerradas nas cadeias de signos, dando m�xima import�ncia � leitura do processo do poema, e n�o mais � leitura alfab�tica, verbal e de significantes. Propondo o combate � discursividade e � poesia tipogr�fica concretista, visa poemas sem palavras ou, pelo menos, poemas em que o signo verbal ocupe um lugar de import�ncia secund�ria para atingir, ent�o, uma linguagem universal de comunica��o. O n�cleo de cria��o do poema reside em seu processo; assim, a partir de uma matriz geradora de s�ries, o poeta prop�e o desencadeamento cr�tico de estruturas sempre novas, as vers�es do processo. Desse modo, essa vanguarda assume um compromisso consciente e objetivo contra a imobilidade das estruturas e pela inven��o de novos processos. Segundo Neide de S�, poeta co-fundadora do movimento, a correla��o do processo com o tempo n�o envolve a linearidade, mas uma din�mica do imprevisto. Sem come�o ou fim, o processo se desenvolve em diversas dire��es, abrindo uma quantidade de encadeamentos que se realizam simultaneamente. A transforma��o, o movimento, ou a participa��o � que levam a estrutura (matriz) � condi��o de processo. Dessa forma, o poema processo cria um consumidor/participante/criativo, que deixa de ser um espectador passivo, contemplativo, para tornar-se um explorador das probabilidades do processo. Segundo Wlademir Dias-Pino, tamb�m co-fundador do movimento, o poema processo, ao dissociar a poesia (estrutura) do poema (processo), separa definitivamente o que � l�ngua de linguagem dentro da literatura. Assim, consciente diante de novas linguagens, esse movimento, ao dar import�ncia m�xima � leitura do processo, atinge uma linguagem universal pelo sentido da funcionalidade de uma comunica��o internacional. mais processo - blogs do moacy cirne poema/processo balaio vermelho

20.4.04

(parangol�, h�lio oiticica)

19.4.04

voc� me tira pra dan�ar. nunca te vi. reluto, rio, fa�o piada. "vem", voc� diz com pose de dan�arina de tango. rodopio seu corpo tentando jog�-lo, graciosamente, para longe. mas voc� volta, me prende. eu rio novamente. "o que foi?". "� que estamos a bailar". voc� entende meu sotaque portugu�s. repete, sempre sorrindo: "estamos a bailar, pois n�o?". e eu viro, me esquivo, pe�o pausa, tiro outra dama pra dan�ar. voc� chega e se enrodilha. tento fugir. "je ne t�aime pas", toca na radiola. "c'est plus fort que moi."
arrasa o meu projeto de vida querida, estrela do meu caminho espinho cravado em minha garganta

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17.4.04

DESAPARECIDA:
LARANJA NAGOLA
p�-doutorando na �rea dos estudos culturais procura qualquer pista sobre a escritora camaronesa laranja nagola desaparecida em meados do fim do s�culo XIX. a �nica refer�ncia (e bibliogr�fica) de que se tem not�cia s�o seus cadernos, intitulados manuscritos angolanos, e seu parentesco com a estilista do slu da cidade de belo horizonte. da �ltima vez em que foi vista, trajava uma exuberante canga alaranjada, assinada pelo estilista pratiti, tamb�m camaron�s.
ela desatinou viu chegar quarta-feira acabar brincadeira bandeiras se desmanchando e ela inda est� sambando

15.4.04

o dia em que tudo estava noir e a revista etcetera volta ao ar em novo n�mero.
lan�amento site Poro N�s do grupo Poro - interfer�ncias em arte e design acabamos de colocar nosso site no ar: http://poro.redezero.org Nele est�o as interven��es urbanas que realizamos, textos, pap�is de parede para download e se��o de links com uma sele��o especial de sites sobre arte e ativismo. No dia 20 de abril, ter�a-feira, estaremos fazendo um caf� de lan�amento do site. Vai acontecer no espa�o em frente ao D.A. da Escola de Belas Artes da UFMG, em BHte, MG, às 10h da manh�. Gostar�amos de convidar todos a comparecerem e, mesmo quem n�o puder estar no lan�amento, que conhe�am o site. forte abra�o, Grupo Poro http://poro.redezero.org email: grupoporo@yahoo.com.br Belo Horizonte, Brasil ............................ pra quem n�o sabe, grupo poromarcelo ter�a-nada! e br�gida campbell... os dois s�o um amor e, como se n�o bastasse, tamb�m s�o muito bons de servi�o... e a gente divulga o que eles pedirem, claro. que o grupo poro respire alegremente por muitos e muitos anos!...

13.4.04

PERDEU-SE uma pulga atr�s da orelha enquanto se pensava na morte da bezerra. a quem encontr�-la, gratifica-se bem. mas n�o muito.
tr�s de amor I. e porque a seda do seu papel jornal n�o me era cara n�o matava minha sede n�o dava em nada borrei algumas letras estampei algumas lendas naquela camisa velha de que voc� nem mais se lembra que rasguei naquele dia por pura covardia II. agrupo palavras esque�o soletro cada letra do verso beijo o teto a sola do seu sapato leio o t�mido verso antigo e lembro ser menos que um alento puro contratempo talvez ver a si me vendo nessa mancha no retrato III. Carta solit�ria do sul da am�rica (longe da china desejada) Porque eu disse: vou te ver. Nem que seja no fim dos tempos. Ou naquele supermercado em Pequim. Voc� riu naquele dia e eu j� via seu rosto entre vermelhos e amarelos. Uma �nica certeza gritava: vou te ver no fim dos tempos. Sentei e a dan�a era outra. Dei uma de simp�tica, comentei sobre o onze de setembro. �No Chile?�, e a sala dava voltas. Gritos profundos emergiram das cicatrizes. Num estrondo, ratos invadiram a sala. Fugitivos se afogavam sob o queixo da chilena. Coloquei alguns can�rios na eletrola. Ningu�m dan�ou. �Em tempos como este ningu�m vai rir�, disseram. Ainda tentei a contradan�a. Uma volta na esquina enquanto a vida rodava no olho. Dei de ombros, fugindo de meus passos. Desenhei um vulto: entrecortado de suspiros. N�o foi nele que te vi. Sa� correndo � procura. �N�s, os exilados da cheia!�, descobri no ch�o. A cidade devorava corpos degustando o tempo. Borrada de batom, uma flor ca�a na esquina. Olhei o rosto: vermelho pisado. Esquivou-se: �Procura vida? Vida s� at� ali: ali, na pr�xima esquina�. Procurei banco, bati p�: fico aqui. Enxotei mendigos, gritei com crian�as. Um trator rosnou. Amordacei todo barulho e qualquer presen�a. Ali sozinha, nem �rvore me acompanhava. Falei bem baixo: �Esta solid�o, nem voc�, nem voc� vai tir�-la de mim�.
PERDERAM-SE dezoito amores no banco de tr�s de uma caminhonete, ap�s um jantar � luz de velas. N�o se pode precisar o modelo. Nem do amor, nem da caminhonete. Tampouco das velas.

12.4.04

n�o precisa fazer de conta, baby. olha: guarda bem o meu cristal. o meu olho que transborda insone, trope�ando em come�os, em vidros, baionetas e versos. olha: guarda bem.
formigas ruivas rondam minhas mem�rias

11.4.04

ainda podemos dizer � certo que podemos dizer o que quisermos ainda se usa dizer � certo mais certo ainda � dizer que
querida molly e ainda o mesmo embate corto rio choro pluma desertor do meu pr�prio punho esculpo a mortalha das horas e ent�o desfa�o-a com requintes de vi�va. e rebordo. ponto a ponto. a agulha em desespero.
� important�ssimo que voc� n�o olhe para o lado. mas � muito mais important�ssimo que, al�m de n�o olhar para o lado, as suas p�lpebras sejam firmemente for�adas a se manterem fechadas constantemente para o caso de, numa distra��o, voc� olhar para o lado e descobrir que não h� possibilidade de olhar para o lado porque, por deus, ningu�m nunca contou para voc�?, �s vezes, contantemente �s vezes, nada h�.
o envelope lacrado. a carta rasgada. escrevo: �vali-me de mesuras para receber seu amor�. recorto. mil vezes a frase rasurada. �j� t�o sem frescuras recebo seu amor�. repito: �n�o � coisa de dama da corte. aguardo resposta at� o m�s que vem� apago rabisco borro seu nome no envelope a l�grima a tinta marcada. cultivo eternas juras de amor que voc� n�o leu.
digo piu piu voc� nem um pio n�o � santo meu amor voc� n�o vem? � espera da ca�a olho ao longe: j� t�o longe o seu amor. repito: escudo forca remetente: e voc� devolve a carta ao rapaz do ect.